
Escassez de combustível provoca violência e caos em países asiáticos

A escassez de combustível causada pela crise energética tem provocado ondas de violência em países asiáticos, sendo Bangladesh um dos mais afetados. Grupos criminosos realizam roubos de combustível à noite e assaltos a veículos de transporte para acumular gasolina, enquanto ataques a funcionários de postos de gasolina já resultaram em pelo menos um assassinato, informou o The Washington Post na quinta-feira (2).
Casos semelhantes também foram registrados na Índia e no Paquistão, envolvendo mortes relacionadas a roubos de combustível ou à revolta causada pela falta de abastecimento. Nas Filipinas, milhares de trabalhadores do transporte entraram em greve para protestar contra o aumento dos preços do diesel.
Incerteza apesar da resposta governamental
Desde que o conflito no Oriente Médio impactou o comércio mundial de petróleo e gás, os governos asiáticos recorreram às reservas fiscais para comprar combustível a preços elevados, mantendo o abastecimento estável e absorvendo parte dos aumentos por meio de subsídios.

No entanto, a incerteza sobre o desfecho da guerra e suas consequências no fluxo de combustíveis pode tornar essas medidas insustentáveis, dificultando o abastecimento e pressionando os preços. Países com maior índice de pobreza são os mais vulneráveis, embora casos na Austrália e França mostrem que até economias mais ricas enfrentam problemas relacionados ao roubo de combustível e insatisfação dos caminhoneiros.
O caso de Bangladesh
Em Bangladesh, onde 25% da população de 175 milhões vive na pobreza e o país importa cerca de 95% de sua energia, o pânico gerou compras em excesso e acúmulo ilegal de combustível, que é revendido no mercado negro. Isso tem causado longas filas nos postos e escassez constante, apesar dos esforços do governo para manter o abastecimento.
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Diariamente, são relatados ataques a postos de gasolina, com funcionários feridos, estabelecimentos incendiados e até assassinatos. Para conter a crise, o governo limitou a quantidade de combustível que cada motorista pode adquirir e mobilizou uma força paramilitar para proteger depósitos, enquanto tribunais móveis processam os acumuladores ilegais.

Se os preços permanecerem altos, as autoridades poderão reduzir importações ou cortar subsídios, agravando a violência. Situações semelhantes têm ocorrido na Indonésia e no Paquistão, onde a população reage de forma agressiva diante da incerteza sobre a continuidade dos auxílios. Pelo menos um trabalhador já foi assassinado no Paquistão por se recusar a abastecer galões de motociclistas.
Fechado para navios inimigos
- Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
- O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reiterou no último dia 11 de março que os navios dos EUA e de seus parceiros não podem atravessar o estreito.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs criar uma coalizão naval para escoltar navios através dessa via. No entanto, vários dos países convidados — entre eles, os aliados dos EUA dentro da OTAN — descartaram o envio de forças militares para a zona do conflito.
- Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que a passagem segue aberta e que só está fechada para os navios dos países inimigos. "A alguns países que consideramos amigos, permitimos a passagem pelo Estreito de Ormuz. Permitimos a passagem para a China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão", afirmou o chanceler. Segundo explicou, não há razão para permitir que seus inimigos transitem pela zona.

