A situação econômica mundial ainda reflete as medidas tarifárias impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, há um ano, no chamado "Dia da Libertação", segundo informou o Axios na quinta-feira (2).
Apesar do impacto inicial ter diminuído, o pacote de tarifas anunciado no dia 2 de abril de 2025 alterou de forma aparentemente irreversível o sistema comercial global.
A tarifa, que começou o ano próxima de 2%, chegou a 21% após o anúncio — maior nível em um século — e hoje está em 11%.
O futuro das tarifas
Novas alianças comerciais se formam enquanto países tentam cumprir acordos e promessas de investimento dos EUA que a Suprema Corte considerou ilegais.
Oliver Blume, CEO da Volkswagen, afirmou que as barreiras comerciais inviabilizam o modelo atual da empresa, que não consegue arcar com tarifas elevadas enquanto investe fortemente nos EUA.
Apesar da aposta de Trump de que outros países cederiam para acessar o mercado americano, a China redirecionou exportações e encerrou 2025 com superávit recorde de US$ 1,2 trilhão.
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Nos EUA, a indústria manufatureira tem custos mais altos, parcialmente repassados ao consumidor. O setor caiu em quase todos os meses desde abril e perdeu 89 mil empregos no período.
Mudanças e incerteza
A política tarifária sofreu reveses por decisões judiciais, isenções e renegociações. Segundo o Budget Lab de Yale, houve mais de 50 alterações no último ano, gerando forte volatilidade.
Com a Suprema Corte anulando grande parte das tarifas, Trump afirmou que pretende elevar a tarifa global em 10%. Com vencimentos em julho, sua equipe busca usar outros instrumentos para mantê-las, além de estudar mudanças nas tarifas sobre aço e alumínio, o que pode elevar custos de importação.
Impacto da Suprema Corte
Wilbur Ross, ex-secretário de Comércio, alegou que o "Dia da Libertação" caminhava para ser um "sucesso" até a intervenção da Suprema Corte, que limitou a capacidade estabelecer tarifas sem aprovação do congresso. "Empresas podem se adaptar a más notícias; o difícil é lidar com a incerteza", disse.
Já Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, afirmou que Trump usou tarifas para reduzir o déficit comercial, renegociar acordos, atrair bilhões em investimentos industriais e baixar os preços de medicamentos.