Notícias

Embaixada do Irã critica editorial do Estadão: 'padrão duplo e muito injusto'

Texto do jornal brasileiro contém posições baseadas em "julgamentos de valor, posições políticas e acusações graves", apontou a missão diplomática.
Embaixada do Irã critica editorial do Estadão: 'padrão duplo e muito injusto'Gettyimages.ru / Fadel Dawod

A Embaixada do Irã no Brasil criticou o editorial publicado pelo jornal brasileiro Estadão, em 28 de fevereiro, intitulado "Ninguém chora pelo Irã". A missão diplomática afirmou que a matéria contém posições baseadas em "julgamentos de valor, posições políticas e acusações graves".

"Infelizmente, no mundo das comunicações, enfrentamos um padrão duplo e muito injusto", declarou o embaixador Abdollah Ghadirli, em publicação divulgada nesta quinta-feira (2). Na fala, o diplomata classificou o editorial como "uma ação não profissional e muito sem valor".

Segundo Ghadirli, o conteúdo do posicionamento constitui "uma espécie de declaração partidária, ou de grupo, ou relacionada a uma das partes agressoras contra o Irã". Ele disse esperar que "questões financeiras não tenham desempenhado um papel nisso".

"Estado pária"?

Em seu editorial, o Estadão afirma que o Irã é um "Estado pária, que massacra seu povo, quer a bomba para destruir
Israel e financia o terror contra o Ocidente". O veículo previu que se a agressão dos EUA e Israel derrubar o governo iraniano, o qual classificou como "regime criminoso", "o mundo agradecerá".

A missão diplomática iraniana no Brasil rebateu as alegações, criticando o jornal por um "total afastamento da prática jornalística".

Em resposta, apontou que o país é membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), além de reforçar o caráter pacífico de seu programa nuclear, confirmado por inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A embaixada questionou a classificação do Irã como uma nação "inimiga". "Pergunta-se: um país que, ao longo de mais de 120 anos, manteve relações amistosas com o Brasil é inimigo deste país?", pontuou.

"Pergunta-se ainda se o editorial do jornal Estadão utilizou a expressão 'regime criminoso' para regime sionista diante do massacre de cerca de 72 mil palestinos, dos quais aproximadamente 20 mil eram crianças, sendo parte deles mortos em decorrência de fome e sede?", lê-se em outra seção do documento.

Segundo a embaixada, o editorial posiciona o véiculo como parte envolvida em uma guerra contra Teerã, tendo um caráter "encomendado". "É evidente que, no julgamento da História, esse jornal deverá responder por sua cumplicidade no derramamento de sangue de inocentes e nas mortes resultantes dessas ações agressivas dos Estados Unidos e do regime sionista", escreveu, concluindo que o país reserva-se o direito de adotar medidas judiciais contra o Estadão.