Rússia e China pedem cessar-fogo, enquanto EUA criticam Irã na ONU

Moscou e Pequim pressionam por solução diplomática. Washington acusa Teerã de promover instabilidade global em meio à guerra no Oriente Médio.

Rússia e China defenderam a interrupção imediata dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, enquanto Washington fez duras críticas ao governo iraniano. As manifestações ocorreram durante reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira (2), em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

O representante da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, afirmou que o confronto é fruto de uma "agressão não provocada" contra o Irã e pediu o fim imediato das hostilidades. "O atual conflito não surgiu do nada", afirmou.

Nebenzia enfatizou o pedido pelo cessar-fogo imediato e destacou o impacto causado nos civis. "Reiteramos mais uma vez o apelo pela cessação imediata de todas as hostilidades, que provocam destruição e sofrimento à população civil", disse, defendendo uma solução baseada no direito internacional.

O diplomata russo também enfatizou a importância do intercâmbio de impressões com o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), defendendo o diálogo entre os países da região. "Ao contrário dos colegas ocidentais, nunca impomos 'receitas prontas' nem apresentamos nosso ponto de vista como o único correto. Pelo contrário, convidamos nossos parceiros do Oriente Médio a um diálogo construtivo com o objetivo de encontrar soluções conjuntas que atendam, antes de tudo, aos interesses dos próprios países da região", afirmou.

Ele também alertou para o risco de uma escalada. "É hora de parar e pôr fim a esse jogo perigoso de brincar com fogo", declarou.

O representante da China na ONU, Fu Cong, destacou que a origem do conflito é o uso da força por parte dos EUA e Israel, o que, segundo ele, viola a Carta da ONU. Ao mesmo tempo, Pequim declarou que não apoia ataques iranianos contra países árabes e condenou ações contra civis e alvos não militares.

Já o representante dos EUA, Mike Waltz, criticou o Irã e acusou o país de promover a instabilidade global. "Nenhum país deve ser capaz de manter a economia mundial refém para obter vantagem em uma disputa", disse, acrescentando que os parceiros de Washington no Golfo Pérsico "podem contar com os Estados Unidos" tanto na região quanto no Conselho de Segurança.