Deputado conservador é acusado de coagir ex-companheira a realizar aborto

Denúncia do Ministério Público aponta pressão durante gestação; à época, vítima pediu medidas protetivas.

O deputado estadual Guto Zacarias (Missão-SP) foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por violência psicológica contra a mulher, após acusações de que teria coagido a ex-companheira a interromper uma gravidez, em 2024. O caso corre em segredo de justiça e noticiado pelo portal Brasil de Fato, que afirma ter obtido acesso ao processo, nesta quinta-feira (2).

A denúncia, apresentada em julho de 2025, indica que a relação entre o parlamentar e a jovem de 22 anos ocorreu entre 2021 e abril de 2024. Segundo o documento, ele teria sugerido clínicas clandestinas e métodos de aborto durante a gestação.

O Ministério Público afirma que houve "manipulação, chantagem emocional e constrangimentos reiterados, inclusive durante o estado gestacional da vítima". O texto também registra que a mulher apresentou episódios de pânico, insônia e medo constante.

Em depoimento à polícia, a jovem declarou: "Durante toda a gestação, (houve) essas conversas dele tentando me convencer a não ter (o bebê), a interromper a gravidez". Ela também afirmou: "Ele sugeriu que eu tomasse um comprimido e ai eu fiquei com muito medo porque eu falei 'eu não vou tomar nenhum comprimido' porque acho que eu não queria."

O boletim de ocorrência foi registrado em fevereiro de 2025, com pedido de medidas protetivas. O documento aponta temor por invasão de domicílio e ausência de apoio financeiro durante a gestação.

Após a repercussão, a ex-companheira declarou que solicitou o arquivamento do caso e saiu em defesa do deputado. "Guto jamais tentou me forçar a nada. Houve uma briga, houve instabilidade, atravessamos um período difícil e, orientada por um advogado — com quem hoje já não atuo —, agi por impulso", disse.