Fraude no Everest: guias adulteram comida de turistas para forçar resgates de helicóptero

Esquema já havia sido descoberto em 2018, mas evidências sugerem que os falsos resgastes persistem até os dias atuais.

Guias de montanha do Everest adulteram a comida de turistas para provocar resgates de helicóptero como parte de um esquema fraudulento de seguros de 15 milhões de libras. A informação foi publicada pelo Kathmandu Post, no último dia 27.

De acordo com a investigação, pequenas adulterações nas refeições — como adicionar bicarbonato de sódio para causar uma leve náusea ou mal-estar nos turistas — eram usadas para "fabricar" sintomas de doença em plena altitude, abrindo caminho para o que, no papel, parecesse uma evacuação médica de emergência.

A partir daí, tudo seguia um roteiro bem ensaiado. Assim que o turista começava a se sentir mal, guias e funcionários de alojamentos insistiam que a situação era grave e que permanecer na montanha poderia ser fatal. Em vez de sugerir descanso, hidratação ou uma descida gradual — medidas que costumam bastar para casos leves de mal de altitude — a opção apresentada como única saída era a evacuação por helicóptero.

Uma vez acionado o resgate, um único voo levava vários passageiros, mas cada seguradora recebia uma conta como se tivesse fretado uma aeronave exclusiva, multiplicando artificialmente o valor das faturas.

No hospital em Katmandu, o enredo continuava: exames muitas vezes desnecessários, diagnósticos exagerados e prontuários produzidos sob medida serviam para justificar contas ainda mais altas.

As autoridades nepalesas já haviam tomado conhecimento do esquema em 2018, após uma reportagem do próprio Kathmandu Post, que expôs a fraude. Contudo, embora o governo tenha anunciado medidas e reformas para combater a prática, a mídia continua reportando que ela não só persiste, como está aumentando.