
Quais rotas a Rússia oferece para comércio global diante da crise energética?

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã está afetando cada vez mais as principais rotas logísticas mundiais, forçando os países a buscarem rotas alternativas para o comércio e o fornecimento de recursos energéticos.
O bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa quase um quinto do petróleo mundial — já causou escassez de combustível em diversas regiões e elevou os preços aos níveis mais altos em quatro anos.
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A situação poderia piorar drasticamente em caso de uma escalada ainda maior.
Os Houthis do Iêmen ameaçaram, em 15 de março, fechar o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, caso o alinhamento com o Irã o arraste ainda mais para o conflito no Oriente Médio.
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O estreito tem grande importância econômica, pois constitui a rota marítima que liga a Ásia à Europa. Assim como o Estreito de Ormuz, o bloqueio desse corredor poderia desestabilizar ainda mais a logística global e levar a um aumento nos preços do petróleo e gás.

Mundo está em busca de novas rotas
O presidente russo, Vladimir Putin declarou que, dada a situação no Irã e os riscos de trânsito pelo estreito de Ormuz, a Rússia está em condições de oferecer rotas de transporte e cadeias logísticas mais seguras e estáveis de petróleo e gás.
O presidente russo observou que as questões de transporte e logística, áreas estratégicas para a economia global, estão passando por mudanças profundas e enfrentando sérios desafios geopolíticos.
O presidente explicou que as rotas logísticas russas podem ser vantajosas para os parceiros da Rússia tanto economicamente, devido à redução do tempo de trânsito, quanto em termos de diversificação dos fluxos de transporte globais.

Geografia como vantagem
As propostas russas baseiam-se em grande parte em um fator óbvio, mas estrategicamente importante: a geografia. A vasta extensão do país, a rede ferroviária desenvolvida e o potencial de trânsito permitem à Rússia ser um dos principais centros de transporte entre a Europa e a Ásia.
"A Rússia, mais do que qualquer outro país do mundo, preenche os critérios de uma grande potência de trânsito graças à dimensão do seu território, à sua proximidade com países da Europa, Ásia e região do Pacífico, bem como à sua costa ártica e à Rota Marítima do Norte, e à sua vasta experiência no transporte de enormes volumes de mercadorias por longas distâncias, em quaisquer condições meteorológicas, dentro do prazo e sem perdas", afirmou Stanislav Tkachenko, doutor em Ciências Económicas e professor da Universidade Estatal de São Petersburgo, à RT.
Dado o seu tamanho, localização geográfica, infraestruturas, experiência acumulada a Rússia pode "oferecer ao mundo tanto serviços logísticos, rotas e rotas comerciais já existentes, como também criar novas", acredita Mikhailov.
O que a Rússia pode oferecer?
Em um contexto onde as rotas tradicionais estão se tornando cada vez mais instáveis, a Rússia oferece diversas alternativas, tanto marítimas quanto terrestres. Desde 2022, o país vem realizando uma reestruturação logística em larga escala, reorientando seus fluxos de carga e criando novas cadeias de suprimentos. Essa experiência agora pode ser exportada, acredita Tkachenko.
"A Rússia pode oferecer transporte seguro e rápido de mercadorias do Sudeste Asiático para a Europa, evitando o Golfo Pérsico, principalmente por meio de sua rede ferroviária modernizada, bem como por via marítima ao longo da costa do Ártico", afirmou o especialista.
Rota mais curta
Um elemento-chave da nova arquitetura logística poderá ser a Rota Marítima do Norte, um corredor que adquire importância estratégica em tempos de crise.
Localizada no eixo central de uma rede logística de alcance global, a hidrovia passa pela costa ártica russa. Trata-se do Corredor de Transporte Transártico.

A Rota Marítima do Norte é uma via que liga a parte europeia da Rússia ao Extremo Oriente, além de ser a principal via de transporte ligada ao Ártico russo. A rota passa pela costa norte do país e percorre cerca de 5.600 quilômetros, desde o Estreito de Kara até a baía de Provideniya.
Considerado um eixo fundamental no corredor, a rota registrou um aumento no fluxo de mercadorias de quase 10 vezes na última década, chegando a 38 milhões de toneladas. Até 2030, estima-se que o volume possa bater algo entre 70 e 100 milhões.
Em meio à crescente instabilidade nas rotas marítimas tradicionais, a Rota Marítima do Norte está deixando de ser apenas uma alternativa e se tornando gradualmente um dos principais eixos do futuro do comércio global.
