Uma nova análise da Oxfam divulgada nesta quinta-feira (2) revela que a quantidade de riqueza não tributada escondida em offshores pelos 0,1% mais ricos supera todo o patrimônio da metade mais pobre da humanidade, cerca de 4,1 bilhões de pessoas.
Segundo a organização, só em 2024, US$ 3,5 trilhões não taxados foram guardados em paraísos fiscais e contas não declaradas, valor que excede o PIB da França e é mais do que o dobro do PIB combinado dos 44 países menos desenvolvidos.
Desse montante, aproximadamente 80% — cerca de US$ 2,84 trilhões — estão nas mãos do 0,1% mais ricos, e, dentro desse grupo, 0,01% corresponde aos ultra‑ricos que concentram sozinhos algo em torno de US$ 1,77 trilhão.
Para Christian Hallum, responsável pela área de tributação da Oxfam International, os chamados Panama Papers "levantaram o véu" sobre um mundo paralelo onde os mais ricos movem fortunas para longe dos impostos e do escrutínio. Dez anos depois, diz ele, os super‑ricos ainda "sequestram oceanos de riqueza em cofres offshore".
A Oxfam argumenta que isso não é apenas "contabilidade inteligente", mas uma questão de poder e impunidade: quando milionários e bilionários escondem trilhões em paraísos fiscais, colocam‑se acima das obrigações que valem para o resto da sociedade.
Embora tenha havido algum progresso na redução da riqueza offshore não tributada, ela continua elevada, em torno de 3,2% do PIB global. Mas esse avanço é desigual, segundo a Oxfam.
Isso porque o levantamento aponta que muitos países do Sul Global seguem excluídos do sistema de Troca Automática de Informações (AEOI), apesar de precisarem desesperadamente de receitas fiscais.