Notícias

Argentina declara encarregado de negócios iraniano persona non grata e dá 48 horas para deixar país

Anteriormente, o governo de Javier Milei havia declarado a Guarda Revolucionária iraniana como "organização terrorista".
Argentina declara encarregado de negócios iraniano persona non grata e dá 48 horas para deixar paísGettyimages.ru

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina declarou nesta quinta-feira (2) o encarregado de negócios da Embaixada do Irã, Mohsen Soltani Tehrani, como pessoa "non grata" e deu um prazo de 48 horas para que ele deixe o país.

A medida é uma resposta a um comunicado de Teerã que, segundo Buenos Aires, "contém acusações falsas, ofensivas e infundadas contra a República Argentina e suas mais altas autoridades".

"Tais manifestações constituem uma ingerência inaceitável nos assuntos internos do nosso país e uma deturpação deliberada de decisões adotadas em conformidade com o direito internacional e a ordem jurídica nacional", afirma o comunicado.

Isso se soma, conforme indicado, à recusa do Irã em "cooperar com a Justiça argentina na investigação do atentado contra a AMIA [Associação Mutualista Israelita Argentina]", ocorrido em 1994.

O governo Milei ainda acusou a república islâmica de "repetido descumprimento das ordens internacionais de prisão e extradição dos responsáveis".

As credenciais do diplomata foram aceitas em dezembro de 2021, durante a presidência de Alberto Fernández.

Tensões diplomáticas

Vale lembrar que a Argentina declarou nesta terça-feira (31) a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã como "organização terrorista", com base em dois ataques contra organizações judaicas em Buenos Aires, em 1992 e 1994, que a Argentina culpa o Hezbollah pela autoria.

Por sua vez, o Irã condenou "nos termos mais veementes" a decisão do país sul-americano. O texto classifica a medida como um "insulto imperdoável" ao povo iraniano, e a vincula ao que descreve como um alinhamento automático do governo de Javier Milei com a ofensiva militar de Washington e da "entidade sionista".

Além disso, o governo iraniano alertou que a designação poderia ter consequências nas relações bilaterais e estabelecer um "precedente perigoso" nas relações entre os Estados.