Lula diz que pediu ajuda a Trump contra magnatas do crime organizado foragidos nos EUA

Presidente também defende PEC que prevê novo modelo de segurança pública no país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que solicitou apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para agir contra brasileiros ligados ao crime organizado que estão fora do país. A declaração foi feita ao comentar a proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública, apresentada como instrumento para ampliar a atuação federal no setor.

Durante entrevista à TV Record Bahia, nesta quinta-feira (2), Lula detalhou que a iniciativa inclui a criação de um novo ministério e mudanças na estrutura de atuação das forças federais.

"Essa PEC vai permitir que a gente tome uma decisão muito importante, que é criar o Ministério da Segurança Pública e definir uma nova ação do Governo Federal na questão da Segurança Pública. Porque tal como está a Constituição hoje, o papel do Governo Federal na Segurança Pública é apenas de repassar um pouco do dinheiro, que é muito pouco, diante da necessidade do Estado", explicou.

O presidente também citou a reorganização das funções das instituições federais e a criação de uma nova força. "[Precisamos definir] Qual é o papel da Polícia Federal, qual é o papel da Polícia Rotovéria Federal, e sobretudo a gente vai definir a criação de uma guarda nacional muito eficaz para fazer intervenção que for necessaria". 

Ao abordar o combate ao crime organizado, Lula afirmou que as ações do governo buscam atingir níveis mais altos de atuação criminosa.

"O que nós queremos na verdade é chegar num andar de cima da corrupção. O que nós queremos é chegar nos magnata da corrupção que não mora, sabe, na favela. Que mora nos prédios mais chiques da cidade de São Paulo, rio de janeiro, Pernambuco, Ceará. Ou seja, eles moram bem", pontuou. 

Ele relatou a conversa com Trump ao tratar da cooperação internacional. "E eu conversei com o Trump, eu disse pro Trump, 'se você quiser combater o crime organizado de verdade, o Brasil está disposto a jogar todo o peso que o gente puder jogar pra combater. E você poderia começar entregando os brasileiros que estão aí, me dê o endereço da casa, o nome das pessoas brasileiras que têm praticado crime e que estão foragindo nos Estados Unidos'". 

Lula também mencionou operações em andamento e medidas recentes. "Mas a gente não pode esperar, nós aprovamos agora a Lei Antifacção. Nós estamos numa guerra contra o crime organizado. Nós já apreendemos 250 milhões de litros de combustível que ta nas mãos do crime organizado. Nos estamos fazendo aquela Operação Carbono, que ja prendemos algumas pessoas", explicou. 

Ao final, o presidente reforçou a necessidade de aprovação da proposta pelo Congresso Nacional. "Agora, eu preciso que o Congresso Nacional aprova a PEC. Na hora que o Congresso Nacional aprovar a PEC, nós vamos aprontar com muita rapidez um grande Ministério de Segurança Pública para que a gente possa fazer intervenção no crime organizado sem precisar pedir licença para ninguém", finalizou.