O drone MQ-9 Reaper tornou-se uma das principais ferramentas dos Estados Unidos nos conflitos do Oriente Médio. Esse tipo de drone está sendo utilizado para atacar alvos no Irã; no entanto, desde o início do conflito atual, os americanos já perderam mais de uma dezena dessas caríssimas aeronaves.
Inicialmente, o drone demonstrou eficácia no Iraque e no Afeganistão, mas o confronto com adversários que possuem um sistema moderno de defesa aérea revelou seus pontos fracos. Além disso, seu alto custo faz com que o uso massivo desses drones esteja longe de ser sempre justificado.
O que se sabe sobre o MQ-9 Reaper?
O primeiro voo do MQ-9 ocorreu em 2007, e seu desenvolvedor foi a empresa General Atomics. A envergadura do drone chega a 20 metros, e sua autonomia de voo é de até 27 horas. Ele é capaz de atingir velocidades entre 322 e 370 quilômetros por hora e subir a uma altitude de até 15 quilômetros.
Embora o objetivo principal da aeronave seja o reconhecimento e a vigilância, graças aos seus radares e ao seu longo tempo de permanência no ar, o drone também pode transportar até 1.700 kg de armamento.
Entre eles estão os mísseis AGM-114 Hellfire, as bombas laser GBU-12 Paveway II e as de alta precisão GBU-38 JDAM.
Foi justamente o MQ-9 que foi utilizado em janeiro de 2020 para o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani no aeroporto de Bagdá.
Investimento pouco rentável
O custo de um MQ-9 varia de acordo com a configuração, mas pode chegar a US$ 30 milhões. Desde o início do conflito no Irã, segundo a CBS News, os Estados Unidos perderam 16 dessas aeronaves, o que representa quase US$ 500 milhões.
A vulnerabilidade dos drones também ficou evidente no Iêmen, onde os houthis derrubaram cerca de seis MQ-9 utilizando mísseis antiaéreos iranianos. Nesse contexto, o Pentágono está considerando a possibilidade de retirá-los gradualmente de serviço para realocar os recursos para novos tipos de drones.
Na linha de frente das vulnerabilidades
A guerra no Iêmen voltou a evidenciar os pontos fracos do MQ-9, que anteriormente havia sido utilizado no Iraque, na Síria e no Afeganistão.
Como aponta o Wall Street Journal, os drones são lentos, seu voo até alvos-chave pode levar horas, e a falta de tecnologia "Stealth" os torna visíveis para o inimigo.
Além disso, o campo de visão do aparelho é limitado: ele fornece uma imagem detalhada do alvo, mas quase não oferece informações sobre ameaças nas proximidades.
"Se pensarmos em combates de alto nível, simplesmente não podemos levá-los para o campo de batalha", declarou Will Roper em 2020, então alto comandante da Força Aérea dos EUA, quando propôs encerrar a produção do MQ-9. "Eles são fáceis de derrubar", concluiu.