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Rússia anuncia que enviará segundo petroleiro a Cuba

"Um navio russo furou o bloqueio" (...) Não vamos deixar os cubanos em apuros", declarou o ministro Sergey Tsvilev.
Rússia anuncia que enviará segundo petroleiro a CubaRamon Espinosa / AP

O ministro da Energia da Rússia, Sergey Tsvilev, anunciou nesta quinta-feira (2) que a Rússia enviará um segundo petroleiro para Cuba, em meio à grave crise energética causada pelo embargo dos EUA.

"Uma reunião importante foi realizada ontem em São Petersburgo. Representantes cubanos chegaram. Cuba está sob bloqueio total; está isolada. De onde veio o carregamento de petróleo? Um navio russo furou o bloqueio. O segundo está sendo carregado agora. Não vamos deixar os cubanos em apuros", assegurou.

100 mil toneladas de petróleo

Em 31 de março, o primeiro petroleiro russo Anatoly Kolodkin chegou a Cuba com um carregamento humanitário de 100 mil toneladas de petróleo.

O navio russo chegou ao porto de Matanzas, e na manhã da terça-feira (31)  a embaixada russa detalhou que a transferência do petróleo bruto já havia começado.

É o primeiro petroleiro a chegar a Cuba em cerca de três meses, depois que os EUA obrigaram a Venezuela e o México a cortar o fornecimento de energia à ilha. A nação caribenha não recebia nenhum suprimento de petróleo bruto desde 9 de janeiro, o que provocou uma crise energética.

Posição da Rússia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrovafirmou em 24 de março que a Rússia está preocupa com a escalada da tensão em torno de Cuba e continuará a demonstrar solidariedade ao governo da ilha.

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskovreiterou em 19 de março o apoio de Moscou a Havana e revelou que as autoridades do país estão discutindo como ajudar o país caribenho. "Estamos em constante diálogo com a liderança de Cuba e, é claro, estamos discutindo como ajudar a ilha em uma situação tão difícil", declarou.

Ameaças de Trump a Cuba

  • No dia 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declarava "emergência nacional", diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança do país norte-americano e da região.
  • Sobre essas bases, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, somando-se a ameaças de represálias contra aqueles que agirem em sentido contrário à ordem executiva da Casa Branca.
  • Em seguida, Trump reconheceu que sua Administração mantinha contatos com Havana e deu a entender que esperam chegar a um acordo, embora tenha qualificado o país caribenho como uma "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.
  • Isso acontece em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta muito a economia do país, foi agora reforçado com medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
  • "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", disse o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
  • Todas as acusações infundadas de Washington foram rejeitadas sistematicamente por Havana, que alertou que defenderá sua integridade territorial.