O jornalista Glenn Greenwald afirmou, na quarta-feira (1º), que há uma tentativa de introduzir no Brasil regras que proibiriam determinadas críticas ao Estado de Israel, segundo publicação, em inglês, feita no X.
Ele relacionou a iniciativa a medidas já adotadas por Donald Trump em universidades americanas e incorporadas a legislações europeias.
Na publicação, o jornalista, que é judeu, menciona a existência de um lobby pró-Israel no Brasil, com atuação em centros econômicos como São Paulo. Ele também cita a deputada Tabata Amaral como uma das ligadas a essa agenda.
"O lobby tem uma deputada de centro-esquerda, formada em Harvard, neoliberal e fantoche, [Tabata Amaral], agora tentando impor as mesmas leis de censura da IHRA que Trump impôs às universidades americanas e que a União Europeia incorporou ao seu direito penal."
Segundo o jornalista, a iniciativa segue a definição da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA, nas siglas em inglês), já adotada em outros países para regular discursos relacionados a Israel.
"Essas medidas proíbem a visão de que Israel é um empreendimento racista, comparações com o regime nazista e discussões sobre o papel dos judeus na morte de Jesus."
"A capacidade de Israel de impor leis de censura a todos os países democráticos é impressionante."
Em um trecho da postagem, Glenn escreve "Aqui está Tábata Ameral com seu marido [o prefeito de Recife, João Campos], o político Luciano Huck, um dos bilionários mais ricos do Brasil e fanaticamente pró-Israel. O mesmo padrão se repete em todo o mundo democrático: o maior ataque à liberdade de expressão".
Greenwald também afirma que, apesar de o Brasil ter uma população judaica pequena, há um lobby pró-Israel com forte atuação no país, especialmente no centro financeiro de São Paulo, ao mencionar a relação entre políticos, empresários e setores econômicos.
Entenda o caso
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) defende o Projeto de Lei 1424/2026, que adota a definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). A proposta gerou críticas por possíveis impactos sobre a liberdade de expressão.
A parlamentar afirma que o texto não impede críticas a Israel quando feitas nos mesmos termos aplicados a outros países. Ela também citou dados de 886 denúncias de antissemitismo no Brasil em 2024 para justificar a iniciativa.
O Conselho Nacional dos Direitos Humanos, citado pela própria deputada, criticou a definição adotada e afirmou que a medida poderia enquadrar críticas ao Estado de Israel e às suas ações como antissemitismo, o que deslegitimaria o debate público e violaria princípios democráticos.
O Brasil já integrou a IHRA, tendo ingressado em 2021, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, mas se retirou da entidade em julho de 2025, por determinação do presidente Lula.