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Trump ameaça suspender fornecimento de armas à Ucrânia se Europa não se juntar à coalizão no estreito de Ormuz - FT

A advertência do presidente americano vem após recusa dos líderes europeus de colaborar na reabertura da rota marítima.
Trump ameaça suspender fornecimento de armas à Ucrânia se Europa não se juntar à coalizão no estreito de Ormuz - FTLegion-media.ru / Ashish Vaishnav/SOPA Images via ZUMA Press Wire

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria ameaçado suspender o fornecimento de armas à Ucrânia como uma medida de pressão para que os aliados europeus se juntem a uma coalizão para reabrir o estreito de Ormuz, segundo fontes citadas pelo Financial Times na quarta-feira (1º).

A rota marítima, por onde transita aproximadamente um quinto do petróleo mundial, permanece praticamente bloqueada após a escalada do conflito com o Irã. Diante desse cenário, Washington solicitou o apoio das marinhas da OTAN, mas várias capitais europeias rejeitaram a proposta, argumentando que não é possível intervir enquanto as hostilidades continuam e que o conflito "não é a guerra deles".

De acordo com autoridades a par das conversas, a resposta de Trump foi ameaçar retirar o apoio ao mecanismo PURL, uma iniciativa de aquisição de armamento para a Ucrânia financiada por países europeus. A advertência gerou inquietação dentro da Aliança e motivou medidas urgentes por parte do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.

Como resultado, França, Alemanha e Reino Unido, juntamente com outros aliados, emitiram em 19 de março uma declaração conjunta na qual expressaram sua disposição de contribuir para garantir a segurança no estreito. Segundo as fontes, o documento foi elaborado rapidamente devido ao temor de que Washington reduzisse seu apoio tanto à Ucrânia quanto à própria OTAN.

Embora em Washington afirmem que, por enquanto, o fluxo de armas para a Ucrânia não tenha sido afetado, não é descartada a possibilidade de que, no futuro, as necessidades militares americanas sejam priorizadas no contexto da guerra no Irã.

Fechado para navios inimigos

  • Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
  • O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reiterou no último dia 11 de março que os navios dos EUA e de seus parceiros não podem atravessar o estreito.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs criar uma coalizão naval para escoltar navios através dessa via. No entanto, vários dos países convidados — entre eles, os aliados dos EUA dentro da OTAN — descartaram o envio de forças militares para a zona do conflito.
  • Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que a passagem segue aberta e que só está fechada para os navios dos países inimigos. "A alguns países que consideramos amigos, permitimos a passagem pelo Estreito de Ormuz. Permitimos a passagem para a China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão", afirmou o chanceler. Segundo explicou, não há razão para permitir que seus inimigos transitem pela zona.