O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, divulgou nesta quarta-feira (1) uma carta aberta dirigida ao povo americano em meio à agressão em larga escala dos Estados Unidos e de Israel contra seu país.
Na mensagem, o mandatário questionou se o governo de Donald Trump realmente está colocando "os Estados Unidos em primeiro lugar" ou se, ao contrário, atua como um "instrumento de Israel", disposto a lutar "até o último soldado americano".
Na sequência, são levantados questionamentos sobre os custos e objetivos do conflito, perguntando "quais interesses do povo americano estão sendo atendidos por essa guerra" e se haveria, de fato, uma ameaça real por parte do Irã. Ele critica ações militares recentes, mencionando "o massacre de crianças inocentes" e a destruição de instalações civis, e afirma que ataques à infraestrutura vital do país "atingem diretamente o povo iraniano".
Segundo Pezeshkian, tais ações não apenas configuram "crime de guerra", como também geram instabilidade regional, aumentam custos humanos e econômicos e perpetuam ciclos de tensão, sendo, em suas palavras, "um sinal de confusão estratégica e incapacidade de alcançar uma solução sustentável".
"Autodefesa legítima"
Ao longo da carta, Pezeshkian afirmou que o Irã "nunca iniciou uma guerra" e que suas ações são baseadas em "autodefesa legítima", acusando Washington de manter uma presença militar ampla ao redor do país.
Segundo ele, a imagem do Irã como ameaça é fruto de interesses políticos e econômicos, que buscam "fabricar um inimigo" para justificar pressão, domínio militar e controle de mercados estratégicos.
O mandatário também estabelece uma distinção clara entre o povo e as autoridades políticas no Ocidente:
"O povo iraniano não nutre inimizade contra outras nações, incluindo o povo dos Estados Unidos, da Europa ou de países vizinhos. Mesmo diante de repetidas intervenções estrangeiras e pressões ao longo de sua história, os iranianos sempre estabeleceram uma clara distinção entre governos e os povos que eles governam. Este é um princípio profundamente enraizado na cultura iraniana e na consciência coletiva — não uma postura política temporária".
O presidente iraniano também relembrou episódios históricos que, segundo ele, deterioraram as relações entre os dois países, ressaltando que os laços entre Irã e Estados Unidos "nem sempre foram hostis" e que as primeiras interações entre seus povos não foram marcadas por tensões.
Segundo ele, o ponto de ruptura ocorreu com o golpe de 1953 apoiado por Washington, seguido pelo apoio ao regime do xá, a Saddam Hussein na guerra dos anos 1980 e pela imposição de sanções, fatores que aprofundaram a desconfiança iraniana em relação às políticas americanas.
"Hoje, o mundo se encontra em uma encruzilhada. Continuar no caminho da confrontação é mais custoso e inútil do que nunca. A escolha entre confronto e engajamento é real e consequente; seu resultado moldará o futuro das gerações que virão. Ao longo de seus milênios de história orgulhosa, o Irã sobreviveu a muitos agressores. Tudo o que restou deles são nomes manchados na história, enquanto o Irã permanece — resiliente, digno e orgulhoso", conclui a nota.