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Em documento vazado, diplomacia dos EUA discute interferência no setor militar brasileiro

Arquivo revelado pelo WikiLeaks relembra bloqueio da venda de aeronaves à Venezuela e mapeia o crescente potencial do Brasil como exportador de bens militares.
Em documento vazado, diplomacia dos EUA discute interferência no setor militar brasileiroImagem gerada por IA

Em documento confidencial de 2009, classificado por Lisa Kubiske, então chefe adjunta da missão diplomática dos EUA no Brasil, e posteriormente revelado pelo portal WikiLeaks, autoridades americanas discutem o papel do país latino-americano como exportador de bens militares.

Ao longo do documento, as autoridades fazem um apanhado histórico do setor na economia brasileira. Elas relembram, inclusive, quando Washington bloqueou a venda de aviões Super Tucano da Embraer à Venezuela em 2005, sob o argumento de que as aeronaves possuíam componentes americanos, gerando insatisfação no governo brasileiro.

À época, os brasileiros argumentavam que a venda "daria ao Brasil mais influência sobre [o então presidente Hugo] Chávez, podendo atuar como uma força moderadora, e reclamaram que a negativa dos treinadores turboélice Super Tucano levou a Venezuela a adquirir caças a jato avançados da Rússia", segundo o arquivo. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também estaria preocupado em "proteger empregos industriais", sobretudo às vésperas do pleito presidencial.

Outro aspecto mencionado é a "crescente influência do Brasil na África", embora, segundo o documento, a cooperação no setor militar ainda seja vista com "cautela".

A diplomacia americana destaca ainda que o interesse de Lula em "desenvolver indústrias de defesa fortes", somado à sua Estratégia Nacional de Defesa (END), poderia levar a um cenário em que "governos e atores não estatais em busca de tecnologia militar recorrerão cada vez mais ao Brasil". Isso poderia fazer com que a atual infraestrutura do setor não acompanhasse o novo nível de demanda, abrindo espaço para maior participação de empresas dos EUA nesse mercado.

No segmento final, o autor da mensagem pondera sobre a necessidade de enviar equipes Blue Lantern, do Departamento de Estado dos EUA, ao Brasil, buscando "sensibilizar" o país sobre a necessidade de desenvolver um programa próprio de compliance. Como observado no caso das negociações Brasil-Venezuela, isso poderia ampliar a capacidade de Washington de influenciar exportações brasileiras que envolvam tecnologia de origem americana, reforçando mecanismos de controle sobre o setor.