
Irã traça 'linha vermelha' no Estreito de Ormuz

Em entrevista à Al Jazeera nesta quarta-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que somente o Irã e Omã, que detêm o controle territorial das águas do Estreito de Ormuz, decidirão o futuro dessa rota marítima estratégica após o fim do atual conflito armado.

O ministro enfatizou que o estreito deve ser uma "via navegável pacífica" e ressaltou que, atualmente, "está fechado apenas para navios daqueles [países] que estão em guerra" contra a república islâmica.
Araghchi atribuiu o declínio do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, desde o início da guerra contra o Irã, ao fato de que "navios ligados a outros países — por razões de segurança, devido aos altos custos de seguro ou por qualquer outro motivo — decidiram não utilizar o estreito".

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A declaração de Araghchi ocorre em meio aos relatos de que o presidente americano Donald Trump propôs transferir o controle do estreito para um consórcio internacional.
De acordo com fontes do The Telegraph, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, apresentou a iniciativa em uma reunião de ministros das Relações Exteriores do G7. Rubio defendeu que a navegação pelo Estreito de Ormuz fosse livre e isenta de taxas.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.
