Notícias

'Use ônibus': Premiê da Austrália pede sacrifícios à população diante da escassez de combustível

Anthony Albanese emitiu uma declaração em fevereiro em que diz apoiar as ações dos Estados Unidos contra o Irã, que resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz e consequente aumento dos preços de energia.
'Use ônibus': Premiê da Austrália pede sacrifícios à população diante da escassez de combustívelGettyimages.ru / Hilary Wardhaugh

Nesta quarta-feira (1), o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, fez um pronunciamento incomum, alertando que os próximos meses "não serão fáceis" devido à crise de combustível provocada pelo fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, e pediu que a população de seu país faça sacrifícios.

"Entendo que, neste momento, é difícil ser otimista. A guerra no Oriente Médio provocou o maior aumento dos preços da gasolina e do diesel da história", disse o premiê durante a fala, transmitida a todo o país.

Albanese afirmou que, embora a Austrália não participe "ativamente" da agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, toda a sociedade australiana está "pagando um alto preço".

"A realidade é que os impactos econômicos causados por essa guerra permanecerão conosco por meses", afirmou.

Pedidos à população para enfrentar os "tempos difíceis"

Em seguida, ele anunciou suas medidas para "proteger a Austrália nestes tempos de incerteza" e pediu à população que fizesse sua parte para economizar combustível para que o país preserve os estoques de petróleo.

"Nas próximas semanas, se você puder passar a usar o trem, o ônibus ou o bonde para ir ao trabalho, faça isso", aconselhou.

"Pense nas outras pessoas da sua comunidade, nas áreas rurais e nos setores essenciais", enfatizou.

Esse foi o primeiro pronunciamento à nação de um primeiro-ministro australiano desde 2020, com o então premiê Scott Morrison durante a pandemia de Covid-19.

A fala de Albanese foi transmitida em meio a relatos de escassez de combustível em vários postos de gasolina e da liberação, pelo governo, de reservas de petróleo.

Apoio aos ataques dos EUA contra o Irã

Em fevereiro de 2026, logo após o início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã, o premiê australiano emitiu uma nota declarando apoio explícito aos EUA.

"Apoiamos as ações dos Estados Unidos para impedir o Irã de obter uma arma nuclear, e para impedir o Irã de continuar a ameaçar a paz e segurança internacionais", diz um trecho do texto.

Fechado para navios inimigos

  • Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
  • O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reiterou no último dia 11 de março que os navios dos EUA e de seus parceiros não podem atravessar o estreito.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs criar uma coalizão naval para escoltar navios através dessa via. No entanto, vários dos países convidados — entre eles, os aliados dos EUA dentro da OTAN — descartaram o envio de forças militares para a zona do conflito.
  • Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que a passagem segue aberta e que só está fechada para os navios dos países inimigos. "A alguns países que consideramos amigos, permitimos a passagem pelo Estreito de Ormuz. Permitimos a passagem para a China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão", afirmou o chanceler. Segundo explicou, não há razão para permitir que seus inimigos transitem pela zona.