EUA planejam expansão militar na Groenlândia, revela imprensa americana

O Pentágono negocia com a Dinamarca o acesso a três bases no Ártico; a população da ilha autônoma expressa descontentamento com a presenta militar estrangeira no local.

Os Estados Unidos estão intensificando esforços para expandir sua presença militar na Groenlândia, território autônomo, parte do Reino da Dinamarca, informou nesta quarta-feira (1º) o New York Times, citando autoridades de Departamento de Guerra dos EUA.

O Pentágono negocia com a Dinamarca o acesso a três bases adicionais na ilha, incluindo duas anteriormente abandonadas pelos americanos, segundo chefe do Comando Norte dos EUA, Gregory M. Guillot.

A medida marcaria a primeira expansão militar dos EUA na ilha em décadas.

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As bases visadas pelos americanos são Narsarsuaq, no sul, que oferece um porto de águas profundas, e Kangerlussuaq, no sudoeste, com uma longa pista para grandes aeronaves. Ambas foram operadas pelos EUA durante a Segunda Guerra e no período da chamada Guerra Fria.

Especialistas citados pelo jornal apontam que Washington pretende usar o pacto de defesa dinamarquês-americano de 1951 como base legal para sua expansão, pois o acordo daria ampla margem de manobra aos EUA, deixando à Dinamarca e à Groenlândia pouca capacidade de veto real.

"Não precisamos de um novo tratado. É muito abrangente e francamente muito favorável às nossas operações", disse Guillot referindo-se ao pacto.

Enquanto as negociações prosseguem, a população da ilha expressa descontentamento.

"Muitas pessoas não querem mais presença militar", afirmou Anso Lauritzen, que administra um centro de cães de trenó, acrescentando que "se é o que decidirem, não há nada que possamos fazer." 

Ambições de Trump

Donald Trump tem insistido há meses que os Estados Unidos devem ter controle sobre a Groenlândia por razões de segurança internacional. Seu governo não descartou a possibilidade de usar a força militar, se necessário, para tomar a ilha, que é um dos três territórios constituintes do Reino da Dinamarca, membro da OTAN.

Entretanto, em meio a essas tensões e ameaças de Washington, vários países europeus enviaram tropas para a Groenlândia para realizar exercícios militares.

Durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente exigiu que "negociações imediatas" fossem iniciadas para a aquisição da Groenlândia. "Não seria uma ameaça à OTAN", afirmou, descrevendo a ilha ártica como um "bloco de gelo". "O que estou pedindo é um bloco de gelo muito frio e mal localizado que possa desempenhar um papel crucial na paz e segurança globais", declarou.