Ex-ministro de Lula quebra silêncio após denúncia por assédio sexual

Silvio Almeida criticou o uso político das denúncias, rebateu acusações e denunciou possível racismo.

O ex-ministro de Direitos Humanos, Silvio Almeida, afirmou em um pronunciamento na terça-feira (31) que é "inocente" das acusações de assédio envolvendo a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

"Eu sou um homem inocente. Falo isso por respeito a quem me acompanha e tem o direito de ouvir diretamente de mim o que eu tenho a dizer. Eu fiquei em silêncio até aqui por responsabilidade, por respeito à dor da minha família, por respeito à lei, uma vez que a investigação corre em sigilo e eu respeito isso. E porque eu sabia também que qualquer palavra dita fora de hora seria usada para intensificar a violência a que estamos sendo submetidos", disse o ex-ministro.

Acusações e racismo

Silvio se pronunciou após os escândalos que levaram à sua saída do governo Lula em setembro de 2024, período em que afirmou ter sido alvo de racismo.

"Homens e meninos pretos são vistos com suspeita permanente. Sobre nós é mais fácil projetar o mal que se quer expurgar. Somos tratados como problema de polícia, mas não como sujeitos políticos", declarou.

Ele também rebateu as afirmações de que seria um "homem poderoso", ressaltando que, se tivesse poder, não teria sido demitido em menos de 24 horas sem direito à defesa.

Sem citar nomes, Silvio Almeida sugeriu que o caso teria sido usado politicamente:

"Há movimentações muito previsíveis.  quem não tem nenhuma realização para mostrar, nenhuma proposta para oferecer, e que por isso chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente, apenas para eliminar aquele que considera adversário ou para erguer sobre mentira uma bandeira eleitoral".

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou a denúncia contra Silvio Almeida em 4 de março. O caso corre em sigilo no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro André Mendonça.