
País do Golfo quer forçar abertura do Estreito de Ormuz e considera entrar na guerra — WSJ

Os Emirados Árabes podem se tornar o primeiro país do Golfo Pérsico a aderir à guerra contra o Irã após os ataques sofridos, segundo informou o Wall Street Journal na terça-feira (31), citando autoridades árabes.
O país está promovendo uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que autorize a formação de uma coalizão internacional para abrir à força o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o comércio mundial de energia.
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Um funcionário dos Emirados Árabes confirmou que o país avalia ativamente a possibilidade de desempenhar um papel militar na proteção do estreito, incluindo trabalhos de remoção de minas e serviços de apoio.
Vários oficiais árabes indicaram que o país propôs aos EUA a possibilidade de ocupar ilhas estratégicas nessas águas, como Abu Musa, que está sob controle iraniano há meio século e é reivindicada pelos Emirados.

Os Emirados Árabes possuem bases militares, o porto de águas profundas de Jebel Ali e uma localização estratégica próxima à entrada do Estreito de Ormuz, o que os torna um ponto de partida ideal para operações lideradas pelos EUA.
O país dispõe ainda de caças F-16 de fabricação americana, bem como de drones de vigilância e um arsenal de bombas e mísseis de curto alcance, também fornecidos por Washington.
O Bahrein, outro aliado dos EUA e sede da Quinta Frota americana, patrocina a resolução na ONU, cuja votação estava prevista para quinta-feira.
A Rússia e a China poderiam vetar a iniciativa, enquanto a França propôs uma versão alternativa. No entanto, autoridades de países do Golfo afirmaram que os Emirados Árabes estariam dispostos a aderir ao esforço bélico mesmo que a resolução não seja aprovada.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.
