O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta quarta-feira (1º) que, dada a situação no Irã e os riscos de trânsito pelo estreito de Ormuz, a Rússia está em condições de oferecer rotas de transporte e cadeias logísticas mais seguras e estáveis de petróleo e gás.
Putin fez esta declaração em mensagem aos participantes do primeiro Fórum Internacional de Transporte e Logística, realizado de 1º a 3 de abril em São Petersburgo.
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O presidente russo observou que as questões de transporte e logística, áreas estratégicas para a economia global, estão passando por mudanças profundas e enfrentando sérios desafios geopolíticos.
"Os eventos no Irã já estão produzindo um impacto direto nos mercados de energia e no transporte de petróleo e gás pelo estreito de Ormuz", observou Putin. A segurança e a estabilidade das rotas de transporte e das cadeias logísticas, "menos expostas a crises, conflitos militares e outros riscos externos", estão se tornando um fator decisivo.
"A Rússia pode oferecer ao mundo esse tipo de solução e desempenhar um papel importante na construção de uma nova arquitetura para a logística global e o comércio internacional em geral", afirmou Putin.
O presidente explicou que as rotas logísticas russas podem ser vantajosas para os parceiros do país tanto economicamente, devido à redução do tempo de trânsito, quanto em termos de diversificação dos fluxos de transporte globais.
Fechado para navios inimigos
- Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
- O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reiterou no último dia 11 de março que os navios dos EUA e de seus parceiros não podem atravessar o estreito.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs criar uma coalizão naval para escoltar navios através dessa via. No entanto, vários dos países convidados — entre eles, os aliados dos EUA dentro da OTAN — descartaram o envio de forças militares para a zona do conflito.
- Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que a passagem segue aberta e que só está fechada para os navios dos países inimigos. "A alguns países que consideramos amigos, permitimos a passagem pelo Estreito de Ormuz. Permitimos a passagem para a China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão", afirmou o chanceler. Segundo explicou, não há razão para permitir que seus inimigos transitem pela zona.