O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a criticar a OTAN, chamando-a de "tigre de papel", e diz considerar a possibilidade de abandonar a aliança.
Em entrevista ao The Telegraph publicada nesta quarta-feira (1º), o chefe da Casa Branca afirmou que a ideia de se retirar da OTAN após o fim da guerra com o Irã está "além de qualquer reconsideração".
"Eu nunca me deixei levar pela OTAN. Sempre soube que eles eram um tigre de papel, e Putin também sabe disso, a propósito", acrescentou.
Trump criticou seus aliados por não terem lhe prestado ajuda nem em sua ofensiva contra a República Islâmica, nem na tentativa de reabrir o estreito de Ormuz. "Além de não estarem presentes, a verdade é que era difícil acreditar nisso. E eu não insisti muito. Simplesmente disse: 'Ouçam'. Vocês sabem, não insisti demais. Simplesmente acho que deveria ser algo automático", afirmou o presidente americano sobre a falta de apoio dos aliados.
O presidente lembrou que os EUA "estiveram lá automaticamente" quando o conflito na Ucrânia começou. "A Ucrânia não era problema nosso. Foi um teste, e nós estávamos lá para ajudá-los, e sempre estaríamos lá para ajudá-los. Eles não estavam lá para nos ajudar", destacou.
Decepção de Trump com aliados
Na quinta-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar "decepcionado" com a OTAN por seus membros não terem feito "absolutamente nada" em relação ao bloqueio do estreito de Ormuz.
O presidente americano chegou a dizer que os EUA não têm por que "estarem lá [na OTAN]". "Sempre estivemos lá para eles, mas agora, com base em suas ações, suponho que não temos por que estar, certo?", disse Trump, insistindo em questionar o grau de compromisso dos aliados: "Por que deveríamos estar lá para eles, se eles não estão para nós? Eles não estiveram para nós".
Na terça-feira (31), Trump aconselhou seus aliados que se recusaram a formar uma coalizão que se dirijam ao estreito de Ormuz e assumam o controle para obter o petróleo de que precisam na atual crise energética.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.