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Chanceler do Irã: EUA estão usando países do Golfo como escudos humanos

Abbas Araghchi questionou o fato desses países não condenarem o uso de bases americanas em seu território para atacar o Irã, e ressaltou que é "injusto" condenar Teerã por se defender dos ataques.
Chanceler do Irã: EUA estão usando países do Golfo como escudos humanosGettyimages.ru / Robert Nickelsberg

Em entrevista exclusiva para Al Jazeera, divulgada na quarta-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os Estados Unidos estão usando os povos do Golfo como "escudos humanos" na guerra contra Teerã e pediu que esses países repensem as relações com Washington.

O chanceler destacou que é "inegável" que os EUA usam o território, o espaço aéreo e as águas desses países para atacar o Irã e esclareceu que a república islâmica não está atacando os países da região, mas sim "instalações, forças e alvos americanos que, infelizmente, se encontram nesses países" e lamentou os eventuais danos colaterais.

Jornais americanos admitiram que militares americanos se escondem em hotéis e prédios administrativos civis nos países do Golfo, ressaltou Araghchi na entrevista. Isso significa, segundo ele, que "estão utilizando a população dos Estados do Golfo como escudos humanos".

O diplomata questionou o fato desses países não condenarem o uso de bases americanas em seu território para atacar o Irã, e ressaltou que é "injusto" condenar Teerã por se defender dos ataques. 

"Os EUA e a entidade sionista a iniciaram utilizando suas bases nessas regiões. Nossos amigos do Golfo, em vez de nos culpar, deveriam culpar e condenar os EUA e a entidade sionista [Israel]", disse. 

Araghchi finalizou ressaltando que Teerã deseja "relações baseadas no respeito e na amizade com seus amigos da região" e que o Irã respeita a "soberania árabe" e não opta por "insultos ofensivos" contra seus líderes, como, segundo ele, tem feito os EUA.

Guerra no Oriente Médio

  • Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.

  • Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.

  • Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.

  • O Irã também bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.