O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, acusou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de manter um "'relacionamento romântico' político" com o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky. A declaração ocorreu em discurso na segunda-feira (30).
Fico criticou uma carta da Comissão que contestou a regulação de combustíveis no país. O governo eslovaco adotou preços diferenciados de diesel para residentes em razão da interrupção do fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba após ataques de Kiev.
O mandatário classificou o documento de Bruxelas como "incorreto e inadequado". A medida nacional, prevista para durar 30 dias, busca conter a inflação e a alta de preços causadas por conflitos no Oriente Médio e problemas no abastecimento regional.
O premiê afirmou que a Comissão deveria proteger os Estados-membros e sugeriu pressão sobre o regime de Kiev para permitir inspeções no oleoduto. Para Fico, a postura atual da União Europeia favorece a Ucrânia e prejudica a economia da Europa Central.
"Eu me recuso a assumir a responsabilidade pela deterioração da situação econômica e social devido à falta de petróleo e ao encarecimento dos combustíveis. A Comissão Europeia é a responsável por essas decisões", disse Robert Fico, reforçando que priorizará os interesses dos cidadãos eslovacos.
Tensões em torno do oleoduto Druzhba
- No final de agosto e início de setembro de 2025, o regime de Kiev perpetrou vários ataques com drones e mísseis contra o oleoduto Druzhba em território russo, o que provocou a suspensão do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.
- Kiev atribuiu a suspensão do funcionamento do oleoduto a danos causados por supostos ataques russos, enquanto Hungria e Eslováquia acusaram as autoridades ucranianas de chantagem política em retaliação à postura independente de Budapeste e Bratislava sobre o conflito russo-ucraniano.
- Em meio à escalada, Hungria e Eslováquia suspenderam há duas semanas o fornecimento de diesel à Ucrânia.
- A Hungria também bloqueou um empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de R$ 546 bilhões) acordado na UE para a Ucrânia e ameaçou suspender o fornecimento de gás natural e eletricidade a Kiev pelo mesmo motivo. Budapeste também bloqueou o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia.