
Guerra no Oriente Médio coloca em risco recurso vital para indústria de tecnologia

O conflito no Irã não afeta apenas o setor energético. A guerra desencadeada pelos ataques de EUA e Israel contra a nação persa está prejudicando o abastecimento mundial de hélio, segundo informou o The Wall Street Journal, na segunda-feira (30).
O hélio é um gás essencial para a fabricação de chips de inteligência artificial e para o funcionamento de equipamentos médicos, como aparelhos de ressonância magnética, além de componentes militares e aeroespaciais.
O Catar, de onde provém um terço do hélio mundial, viu as exportações de gás natural liquefeito diminuírem após ataques iranianos à planta de Ras Laffan, que causaram danos e reduziram suas remessas anuais de hélio em 14%. Os reparos podem levar até cinco anos.

Soma-se a isso o fato do Catar exportar praticamente todo o seu hélio pelo Estreito de Ormuz, rota marítima fundamental que hoje permanece praticamente paralisada pelo conflito. Mesmo que a guerra termine rapidamente, parte da perda de abastecimento não poderá ser recuperada no curto prazo.
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O hélio é escasso na Terra e é obtido como subproduto do gás natural. Ele é encontrado em pequenas concentrações em jazidas de gás natural, de onde é separado e transportado na forma de líquido super-resfriado.
Não é um recurso renovável. Ele é gerado por desintegração radioativa no subsolo e, uma vez liberado, escapa para o espaço. Sua capacidade de transferir calor o torna insubstituível no resfriamento de semicondutores, na indústria aeroespacial e na de defesa.
O "choque" do hélio revela a vulnerabilidade de indústrias-chave diante da concentração geopolítica de recursos críticos.
A escassez já disparou os preços à vista e levou alguns fornecedores a reduzir o uso dos suprimentos pela metade, além da aplicação de sobretaxas. Coreia do Sul, Taiwan e Alemanha alertaram sobre o impacto na produção de semicondutores e matérias-primas.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.

