A chamada "Opção Sansão" é descrita por analistas como uma estratégia extrema que prevê o uso de armas nucleares e retaliação massiva, caso Israel esteja prestes a ser derrotado por uma ameaça existencial.
A hipótese indica que, diante de uma derrota militar ou risco de aniquilação, o país judeu considera um ataque de grande escala com impacto em todo o Oriente Médio.
Em termos concretos, isso significaria cidades inteiras reduzidas a escombros em poucos minutos, com edifícios colapsando, infraestrutura destruída e milhares de mortes imediatas, além de feridos e deslocados em massa.
O impacto se estenderia para além das explosões, com contaminação, colapso de serviços básicos e efeitos duradouros sobre a população civil em diferentes países do Oriente Médio.
Embora não seja uma política oficialmente declarada, o conceito aparece em estudos, livros e análises de segurança internacional como uma formulação associada à lógica da dissuasão. A ideia central é que a existência desse tipo de capacidade funciona como um fator de contenção, desencorajando adversários a iniciar um confronto.
Origem
O nome ''Opção Sansão'' remete a uma narrativa bíblica descrita no Livro de Juízes. Segundo o relato, Sansão, após ser capturado, teria recuperado sua força e derrubado as colunas de um templo, provocando sua morte e a de milhares de inimigos.
O termo ganhou projeção internacional com o livro "Opção Sansão: O Arsenal Nuclear de Israel e a Política Externa dos Estados Unidos", do jornalista Seymour Hersh, publicado em 1991.
Segundo Hersh e o historiador Avner Cohen, a expressão teria sido utilizada ainda na década de 1960 por lideranças como David Ben-Gurion, Shimon Peres, Levi Eshkol e Moshe Dayan, em um contexto de formulação de estratégias de segurança.
"Ambiguidade nuclear" de Israel
Israel mantém uma política conhecida como "ambiguidade nuclear" ou "opacidade nuclear", evitando confirmar ou negar oficialmente a posse de armas atômicas.
Estimativas do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais e da Federação de Cientistas Americanos apontam que Israel detém entre 70 e 400 ogivas nucleares. Dados atribuídos à CIA indicavam números menores na década de 1970, com aumento ao longo dos anos. Essas capacidades incluiriam meios de lançamento por terra, mar e ar.
Programa nuclear e revelações
Informações sobre o desenvolvimento do programa nuclear israelense foram divulgadas ao longo das décadas por investigações jornalísticas e relatos de ex-integrantes do próprio sistema.
O ex-técnico nuclear Mordechai Vanunu revelou à imprensa, em 1986, detalhes sobre as atividades no centro nuclear de Dimona, caso que ganhou repercussão internacional e passou a ser citado em análises sobre o arsenal do país.
Em artigo publicado no portal Al Mayadeen, o jornalista investigativo Kit Klarenberg afirma que o programa nuclear israelense foi desenvolvido sob forte sigilo desde a década de 1950, envolvendo acordos encobertos, operações de inteligência e cooperação internacional não declarada.
Segundo Klarenberg, governos e agências de inteligência dos Estados Unidos já acompanhavam o avanço desse programa desde os anos 1960. Documentos citados pelo jornalista indicariam preocupações com a possibilidade de proliferação nuclear na região e seus impactos geopolíticos.
O termo no debate atual
A Operação Sansão voltou a aparecer em análises recentes sobre o Oriente Médio, especialmente em meio a tensões envolvendo diferentes países da região.
Declarações de autoridades israelenses sobre ameaças consideradas existenciais, como no caso do Irã, são frequentemente citadas por analistas ao discutir cenários de dissuasão.
O professor da Escola de Sociologia e Política Aldo Fornazieri afirma, em artigo publicado no portal Brasil 247, que a chamada "Opção Sansão" não se limita ao campo especulativo e está ancorada em análises militares e registros que circulam em ambientes de inteligência.
Ao tratar do tema, Fornazieri também chama atenção para o que classifica como ausência de mecanismos efetivos de contenção no cenário internacional. Segundo o autor, há um alinhamento entre Estados Unidos e Israel que reduz a capacidade de freio sobre ações militares, enquanto governos europeus e instituições multilaterais demonstrariam dificuldade em reagir a crises dessa natureza.