O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou nesta terça-feira (31) que Moscou mantém um diálogo constante com as autoridades de Cuba, e que este não será interrompido.
"Mantemos contato operacional constante com nossos amigos cubanos. O diálogo está em andamento e vai continuar", afirmou.
Na segunda-feira (30), o porta-voz confirmou a chegada à ilha de cerca de 100 mil toneladas de petróleo como ajuda humanitária da Rússia e destacou que Cuba se encontra atualmente sob "um bloqueio extremamente severo" por parte dos EUA e precisa de derivados de petróleo e petróleo bruto "para o funcionamento dos sistemas vitais do país, para gerar eletricidade e para prestar serviços médicos etc. à população".
O navio petroleiro Anatoly Kolodkin chegou na segunda-feira (30) ao porto de Matanzas, informou o Ministério dos Transportes da Rússia.
Este é o primeiro petroleiro a chegar a Cuba em três meses depois que os EUA obrigaram a Venezuela e o México a cortar o fornecimento de energia à ilha. Cuba não recebe nenhum fornecimento de petróleo desde 9 de janeiro, o que provocou uma crise energética.
Moscou tem reiteradamente afirmado seu apoio a Cuba diante da difícil situação em que o país se encontra, agravada pela crescente pressão econômica dos Estados Unidos. Na segunda-feira (30), Peskov também indicou que a Rússia considera seu dever se engajar ativamente e fornecer a assistência necessária ao povo cubano.
Ameaças de Trump a Cuba
- No dia 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declarava "emergência nacional", diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança do país norte-americano e da região.
- Sobre essas bases, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, somando-se a ameaças de represálias contra aqueles que agirem em sentido contrário à ordem executiva da Casa Branca.
- Em seguida, Trump reconheceu que sua Administração mantinha contatos com Havana e deu a entender que esperam chegar a um acordo, embora tenha qualificado o país caribenho como uma "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.
- Isso acontece em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta muito a economia do país, foi agora reforçado com medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
- "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", disse o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
- Todas as acusações infundadas de Washington foram rejeitadas sistematicamente por Havana, que alertou que defenderá sua integridade territorial.