
Lavrov aponta dois pesos e duas medidas nas declarações de Trump e Rubio sobre a guerra contra Irã

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, enfatizou nesta terça-feira (31) que "o sistema do direito internacional moderno está sendo minado de forma desafiadora" e que existem certos países que buscam abertamente se apropriar de territórios estrangeiros "sem se preocupar em fornecer qualquer base legal para seus planos".

Lavrov relembrou as recentes declarações do Secretário de Estado americano Marco Rubio, que afirmou que o fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã constitui uma grave violação do direito internacional, enquanto que o presidente Donald Trump havia declarado anteriormente que não se importava com o direito internacional, pois ele tem sua própria moral e seus próprios instintos. "É apenas uma simples manobra em duas etapas", explicou o chanceler russo.
"Há cada vez menos fatores que, durante décadas, garantiram uma estabilidade, ainda que relativa", afirmou Lavrov. "Alguns elementos da vida internacional estão nos levando de volta a um passado distante. Representantes da liderança política e militar de alguns países estão sendo sequestrados ou destituídos impiedosamente de seus cargos", alertou.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.
