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Cuba reage firmemente a alegação dos EUA de 'nenhuma medida punitiva' contra a ilha

O ministro das Relações Exteriores de Cuba reagiu com dureza às declarações de Marco Rubio.
Cuba reage firmemente a alegação dos EUA de 'nenhuma medida punitiva' contra a ilhaGettyimages.ru / SOPA Images Limited

O governo cubano rejeitou veementemente as declarações proferidas na segunda-feira (30) pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, segundo as quais Washington não tomou "nenhuma medida punitiva" contra a nação caribenha. Isso apesar do bloqueio imposto há mais de seis décadas e do veto — sob ameaça de retaliações — ao petróleo e aos combustíveis decretado em dezembro passado pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

"Agora o governo dos EUA afirma que não tomou nenhuma ação 'punitiva' contra Cuba. O que é, se não punitivo, o bloqueio econômico? O que é, se não punitiva, a ameaça a qualquer país que exporte combustíveis para Cuba?", escreveu o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parilla, em sua conta no X.

Na mesma linha, o ministro questionou se "a perseguição financeira de transações cubanas em qualquer país, a restrição a navios mercantes que atracam em portos cubanos e a proibição de visitas de americanos a Cuba", ou "as listas seletivas e arbitrárias, como a de Estados patrocinadores do terrorismo, a de entidades restritas e a de alojamentos restritos", não poderiam ser qualificadas como ações coercitivas.

Para concluir, ele questionou se "as pressões abusivas contra governos caribenhos e latino-americanos para que renunciem a programas de cooperação médica com Cuba, com o objetivo de privar o país de receitas legítimas”, não constituem também "uma ação claramente punitiva".

Fuga de responsabilidade?

Por sua vez, Rubio afirmou em entrevista à Al Jazeera que seu país não "tomou nenhuma medida punitiva" contra Cuba.

"Não tomamos nenhuma medida punitiva contra o regime cubano. Eles afirmam que sim, mas isso não é verdade", afirmou.

Da mesma forma, na véspera, o alto funcionário norte-americano negou a existência de um "bloqueio naval em torno de Cuba" e afirmou que a razão pela qual a nação caribenha "não tem petróleo nem combustível é porque eles querem de graça, e as pessoas normalmente não dão petróleo nem combustível de graça".

Ameaças de Trump a Cuba

  • No dia 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declarava "emergência nacional", diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança do país norte-americano e da região.
  • Sobre essas bases, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, somando-se a ameaças de represálias contra aqueles que agirem em sentido contrário à ordem executiva da Casa Branca.
  • Em seguida, Trump reconheceu que sua Administração mantinha contatos com Havana e deu a entender que esperam chegar a um acordo, embora tenha qualificado o país caribenho como uma "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.
  • Isso acontece em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta muito a economia do país, foi agora reforçado com medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
  • "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", disse o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
  • Todas as acusações infundadas de Washington foram rejeitadas sistematicamente por Havana, que alertou que defenderá sua integridade territorial.