O embaixador e representante permanente do Irã junto às Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, afirmou, nesta segunda-feira (30), que a Ucrânia pode ser considerada participante na agressão de EUA e Israel contra a República Islâmica. Isso porque Kiev enviou seus especialistas ao Oriente Médio para enfrentar os drones iranianos.
Em uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, Iravani indicou que, na reunião do Conselho de Segurança de 23 de março, o representante ucraniano "reconheceu claramente em seu discurso que seu país participou diretamente na facilitação dos atos de agressão contra a República Islâmica do Irã".
De acordo com o alto diplomata iraniano, o fato de Kiev reconhecer ter enviado "centenas de especialistas" à região, "supostamente para ajudar alguns Estados do Golfo a enfrentar o Irã, equivale a fornecer apoio material e operacional a uma agressão militar ilegal em curso, liderada pelos Estados Unidos e pelo regime israelense".
"Tal participação não é acidental, mas constitui uma participação ativa e uma facilitação do uso ilegal da força contra um Estado soberano, e suscita sérias preocupações sob o direito internacional", destacou.
Além disso, o diplomata detalhou que o regime ucraniano fornece assistência operacional e técnica que contribui diretamente para o uso da força e para atos de agressão contra a soberania e a integridade territorial do Irã. Tal ação, lembrou o iraniano, viola a proibição fundamental do uso da força consagrada no artigo 2, parágrafo 4, da Carta das Nações Unidas.
"É profundamente irônico que a Ucrânia, que admite abertamente sua participação em facilitar agressões militares além de sua região, agora afirme se preocupar com a paz e a segurança internacionais ou procure se apresentar como defensora delas", sublinhou Iravani. O diplomata também pediu à ONU que dê a "devida atenção" às admissões explícitas do representante da Ucrânia e que exija responsabilidade deste país por seu papel na agressão militar contra Teerã.
Kiev no conflito do Oriente Médio
O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, afirmou há três semanas que os EUA pediram ajuda à Ucrânia em seu conflito com o Irã. "Atualmente, recebemos solicitações dos Estados Unidos e de alguns países do Golfo para resistir, em particular, com meios antidrones", acrescentou.
Ele também anunciou que a parte ucraniana forneceria ajuda militar aos países do Golfo Pérsico, mas sob a condição de que apoiem a defesa aérea do país eslavo.
Ao ser questionado a respeito, o presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu: "Não, não precisamos de ajuda em matéria de defesa contra drones. Sabemos mais sobre drones do que qualquer um". Posteriormente, Trump garantiu que a Ucrânia não contribuiu em nada no contexto do conflito com o Irã e que qualquer afirmação nesse sentido respondia unicamente a "fins políticos e de relações públicas".