As Filipinas começaram a importar petróleo russo em meio à crise energética que o país atravessa, marcada pela interrupção dos fornecimentos do Oriente Médio no contexto do conflito entre EUA, Israel e Irã. A informação foi publicada pela agência Bloomberg, no domingo (29).
A refinaria Petron Corporation, a única do país, comprou 2,48 milhões de barris de petróleo bruto russo como parte dos esforços para garantir o abastecimento interno de combustível. A empresa controladora, a San Miguel Corporation, indicou em comunicado que a medida se deve à escassez de fontes alternativas de abastecimento.
"Se a crise atual persistir e as fontes alternativas de petróleo continuarem indisponíveis ou forem insuficientes, a Petron poderá ser obrigada a considerar novamente a compra de petróleo russo", afirmou.
O abastecimento foi afetado após o anúncio do bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, o que impediu a passagem segura dos carregamentos previstos. Segundo a empresa, um carregamento de 2 milhões de barris não conseguiu atravessar a área em 28 de fevereiro, coincidindo com o início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel.
Já outro carregamento foi cancelado em 7 de março devido ao alto risco no Mar Vermelho e no próprio estreito.
O secretário executivo das Filipinas, Ralph Recto, afirmou que o país dispõe de reservas para 45 dias e destacou que "a Indonésia também oferece garantia absoluta de um fornecimento constante de carvão", enquanto que empresas como a Cebu Air Inc. garantiram ter combustível suficiente para manter suas operações pelos próximos meses.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.