
Os pontos do acordo de paz dos EUA são 'irracionais', diz Irã

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, se pronunciou sobre o plano de paz de 15 pontos apresentado pelos EUA, informou no domingo (29) o canal iraniano Al Alam.
Baghaei confirmou ter recebido o plano americano por meio dos mediadores, afirmando que a proposta aborda, entre outros temas, os programas nuclear e de mísseis balísticos do país persa.

Questionado sobre a posição oficial do Irã, o porta-voz destacou que "não deseja dar uma declaração oficial" e limitou-se a dizer que "as propostas são excessivas e irracionais".
O porta-voz explicou que "falar de assuntos que são direitos inerentes dos iranianos não é sinal de boa-fé nem de seriedade em nenhuma diplomacia".
Ao falar sobre supostas exigências do Irã para um acordo de paz, ele destacou que nenhuma lista de exigências divulgada pela mídia deve ser considerada oficial.
"Há muitos relatos e especulações sobre diversas questões; mas uma coisa é clara: devemos garantir que os EUA e Israel não estejam mais em condições de atacar o Irã", afirmou.
O porta-voz questionou a confiabilidade da diplomacia norte-americana. "Nos últimos nove meses, traíram a diplomacia duas vezes. Acho que é completamente irracional que alguém aceite o que eles dizem sem questionar, de forma ingênua. Não podemos ignorar a amarga experiência de nove meses de negociações com os Estados Unidos", afirmou.
Declarações contraditórias
O presidente dos EUA afirmou, em 23 de março, que os dois países tiveram conversas "muito positivas e produtivas". Teerã negou a existência de qualquer diálogo e afirmou não ter intenção de negociar, embora tenha confirmado ter recebido mensagens de Washington por meio de intermediários que estão sendo analisadas.
A mídia revelou que os EUA enviaram ao Irã um plano de paz composto por 15 pontos que aborda os programas nuclear e de mísseis balísticos iranianos, dois temas sobre os quais não há consenso entre as partes.
Um oficial de alta patente do governo iraniano detalhou as cinco condições sob as quais o Irã aceitaria pôr fim à guerra:
- Fim completo da agressão e dos assassinatos cometidos pelo inimigo;
- Garantias sólidas de não agressão ao país no futuro;
- Pagamento garantido e claramente definido de indenizações e reparações de guerra;
- Encerramento da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência na região;
- Reconhecimento internacional e garantias do direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o estreito de Ormuz.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.

