Rússia expulsa diplomata britânico suspeito de espionagem e subversão

O segundo secretário da Embaixada do Reino Unido em Moscou estava tentando "obter informações confidenciais durante encontros não oficiais com especialistas russos na área da economia".

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia cancelou a credencial do diplomata britânico Jance van Rensburg Albertus Gerardus e ordenou que ele deixasse o território russo no prazo de duas semanas devido a atividades de espionagem, descobertas pelo Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), informou o site oficial do órgão, na segunda-feira (30).

O que ocorreu

O FSB informou que sua contra-espionagem detectou "a presença de serviços de inteligência britânicos não declarados sob o disfarce da Embaixada em Moscou".

Segundo secretário da representação diplomática do Reino Unido em Moscou, Gerardus realizava "atividades de inteligência e subversão que ameaçam a segurança da Federação da Rússia", diz o FSB.

O órgão constatou que o diplomata realizava "tentativas de obter informações confidenciais durante encontros não oficiais com especialistas russos na área da economia".

Além disso, o FSB detalhou que foi comprovado "de forma confiável" que o diplomata entrou em território russo após ter fornecido "deliberadamente" dados falsos para obter o visto, infringindo assim a legislação russa.

"Protesto veemente" de Moscou

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou nesta segunda-feira (30) a encarregada de negócios interina do Reino Unido na Rússia, Danae Dholakia, a quem foi expressado "um protesto veemente" em relação às informações reveladas pelo FSB sobre o diplomata Jance van Rensburg Albertus Gerardus.

A chancelaria russa destacou que, ao obter a autorização de entrada na Rússia fornecendo deliberadamente dados pessoais falsos, o diplomata britânico infringiu uma lei federal russa que regula o procedimento de saída e entrada no território do país.

Com base nisso e em conformidade com o artigo 9 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961, "a parte britânica foi informada da revogação da credencial dessa pessoa".

"A recomendação insistente" a Londres

Na chancelaria russa, a representante britânica foi advertida de que Moscou já havia respondido com firmeza em episódios anteriores, quando diplomatas britânicos forneceram informações falsas para obter visto, em alusão a um caso semelhante ocorrido em março de 2025.

Danae Dholakia foi orientada a comunicar a Londres a recomendação enfática de que cidadãos britânicos — especialmente funcionários da embaixada — forneçam apenas informações verdadeiras sobre seu histórico ao solicitar vistos.

Durante a reunião, "foi especialmente enfatizado que Moscou não tolerará atividades em território russo de funcionários não declarados dos serviços secretos britânicos" e que continuará agindo nessa questão de forma "intransigente" e em conformidade com os interesses da segurança nacional.

O FSB, por sua vez, recomendou aos cidadãos russos que se abstenham de fazer reuniões com diplomatas britânicos sem a anuência do Ministério das Relações Exteriores russo, "uma vez que, sob o disfarce de cargos diplomáticos oficiais, podem estar ocultos funcionários dos serviços secretos".