
Espanha convoca encarregada de negócios de Israel por proibição da missa no Santo Sepulcro

O Governo espanhol convocou, nesta segunda-feira (30), para consultas a encarregada de negócios da Embaixada israelense na Espanha, Dana Erlich, após Israel proibir o acesso ao Santo Sepulcro ao representante máximo da Igreja Católica em Jerusalém para a celebração do Domingo de Ramos.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, anunciou a medida e indicou a finalidade de expressar um protesto formal pelo ocorrido.
"Convocamos a encarregada de negócios israelense esta manhã ao Ministério das Relações Exteriores para transmitir nosso protesto, para indicar que isso não pode acontecer novamente, e que o culto católico deve poder ser celebrado normalmente, como sempre foi celebrado historicamente", afirmou Albares à imprensa.
"Pela primeira vez em séculos"
De acordo com o Patriarcado Latino de Jerusalém, a polícia israelense impediu o Patriarca Latino, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, de entrar na Igreja do Santo Sepulcro, localizada na Cidade Velha de Jerusalém.
Pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a Missa do Domingo de Ramos, diz o comunicado, acrescentando que Pizzaballa foi detido juntamente com o Custódio da Terra Santa, Francesco Ielpo, enquanto se dirigiam à igreja sem procissão ou rito cerimonial.
A situação surgiu em meio às agressões militares de Israel e Estados Unidos contra o Irã, em um contexto em que as autoridades israelenses fecharam diversos locais sagrados na cidade.
Na manhã desta segunda-feira (30), Netanyahu suspendeu a proibição e autorizou Pizzaballa a entrar na igreja e "celebrar os serviços religiosos como desejar".
- O incidente causou indignação internacional imediata. O Papa Leão XIV declarou em sua conta no X que, no início da Semana Santa, a Igreja está "mais próxima do que nunca" em oração dos cristãos do Oriente Médio, que "sofrem as consequências de um conflito atroz" e que, em muitos casos, "não podem vivenciar plenamente os ritos destes dias santos".
- A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou o incidente como uma "ofensa", considerando o Santo Sepulcro "um local sagrado do cristianismo" que deve ser preservado e protegido para a celebração dos ritos.
- O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou a decisão da polícia israelense e insistiu que a liberdade de culto em Jerusalém deve ser garantida a todas as religiões.
