O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, no domingo (29) a bordo do Air Force One, que o Irã havia aceitado "a maioria" dos 15 pontos do plano de paz que ele enviou à República Islâmica, acrescentando que acreditava ser possível chegar a um acordo em breve.
"Eles concordam conosco no plano. Quero dizer, pedimos 15 coisas e eles aceitaram a maior parte delas", declarou.
Trump também afirmou que pretende "pedir mais algumas coisas" nas negociações com o Irã, acrescentando que seu país está atualmente negociando "tanto direta quanto indiretamente".
"Só direi que estamos indo muito bem nessa negociação, mas com o Irã nunca se sabe, porque negociamos com eles e depois sempre temos que explodi-los", afirmou, acrescentando que está "bastante seguro" de que se chegará a um acordo.
Declarações contraditórias
O presidente dos Estados Unidos afirmou, em 23 de março, que os dois países tiveram conversas "muito positivas e produtivas". Teerã negou a existência de qualquer diálogo e afirmou não ter intenção de negociar, embora tenha confirmado ter recebido mensagens de Washington por meio de intermediários que estão sendo analisadas.
A mídia revelou que os EUA enviaram ao Irã um plano de paz composto por 15 pontos que aborda os programas nuclear e de mísseis balísticos do país persa, dois temas sobre os quais não há consenso entre as partes. Um oficial de alta patente do governo iraniano detalhou as cinco condições sob as quais o Irã aceitaria pôr fim à guerra:
- Fim completo da agressão e dos assassinatos cometidos pelo inimigo;
- Garantias sólidas de não agressão ao país no futuro;
- Pagamento garantido e claramente definido de indenizações e reparações de guerra;
- Encerramento da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência na região;
- Reconhecimento internacional e garantias do direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o estreito de Ormuz.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.