O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, divulgou neste sábado (28) uma mensagem ao povo venezuelano a partir da prisão em Nova York, dois dias após comparecer, na quinta-feira (26), a uma audiência judicial nos Estados Unidos. O texto foi publicado na rede social X em nome dele e de sua esposa, agradecendo manifestações de apoio recebidas.
No comunicado, o casal afirma ter recebido cartas, mensagens e orações enviadas por apoiadores.
"Recebemos suas comunicações, suas mensagens, seus e-mails, suas cartas e orações. Cada palavra de amor, cada gesto de carinho e cada expressão de apoio nos enche a alma e nos fortalece espiritualmente", diz a publicação. Segundo o texto, ambos estão "bem, firmes, serenos e em oração permanente".
Apelo à união e à paz
A mensagem destaca a reação popular diante do momento vivido pelo país e elogia a união dos venezuelanos.
"Sentimos profunda admiração pela capacidade do nosso povo de permanecer unido nos momentos difíceis, expressando amor, consciência e solidariedade", afirma o comunicado.
Maduro também fez um apelo pela continuidade do diálogo e da convivência pacífica.
"Hoje, mais do que nunca, chamamos todos a consolidar a paz do país, a união nacional, a reconciliação, o perdão e o reencontro entre todos", acrescenta.
O texto inclui ainda uma citação do Evangelho segundo São Lucas:"Peçam e lhes será dado; busquem e encontrarão; batam e a porta lhes será aberta", acompanhada de um pedido para que os apoiadores mantenham fé, esperança e amor.
"Obrigado, de coração, por suas mensagens, por suas cartas, por suas orações e por seu imenso amor", termina a mensagem.
Agressões dos EUA
- Os Estados Unidos lançaram, no dia 3 de janeiro, uma agressão militar maciça em território venezuelano, que afetou Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Os locais atacados eram principalmente de interesse militar, embora também tenham sido atingidas áreas urbanas e provocado vítimas civis.
- A operação terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York, onde estão em um centro de detenção federal. Ambos se declaram inocentes das acusações de narcoterrorismo em uma audiência preliminar.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assumiu como presidente encarregada por decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que interpretou a ausência de Maduro como temporária. Rodriguez, em uma entrevista concedida em fevereiro, declarou que Nicolás Maduro "é o presidente legítimo".
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "grave agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".