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'Prática sangrenta': Rússia condena ataque israelense que matou três jornalistas no sul do Líbano

O Ministério das Relações Exteriores russo pede uma investigação internacional sobre o que chamou de "grave delito" e acusa Israel de atingir deliberadamente profissionais da imprensa.
'Prática sangrenta': Rússia condena ataque israelense que matou três jornalistas no sul do LíbanoReprodução/Redes sociais

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou neste sábado (28) o bombardeio israelense realizado no sul do Líbano que matou três jornalistas: Ali Shuaib, correspondente da Al Manar TV, Fatima Fatouni, da Al Mayadeen, e o fotojornalista Muhammad Fatouni. A chancelaria também classificou o episódio como um "grave delito" que exige investigação internacional.

Segundo comunicado oficial da diplomacia russa, o ataque atingiu "deliberadamente" um veículo civil ocupado por profissionais de imprensa que se deslocavam para cumprir uma pauta editorial.

A chancelaria afirmou que os jornalistas utilizavam identificações visíveis de imprensa, mas "isso não os protegeu do ataque com armamento de alta precisão". O carro ficou totalmente destruído, tornando-se "uma fossa comum" para as vítimas.

O governo russo criticou declarações das Forças de Defesa de Israel que associaram os jornalistas a atividades terroristas, afirmando que esse tipo de justificativa busca "liberar de responsabilidade" ações que, segundo o direito internacional humanitário, configuram crime grave.

A chancelaria também relembrou um ataque ocorrido em 19 de março, quando o correspondente da RT Steve Sweeney e o cinegrafista Ali Rida ficaram feridos no sul do Líbano em circunstâncias semelhantes.

Após o episódio, Rida declarou que "sabiam que éramos jornalistas", enquanto Sweeney afirmou que "foi um ataque deliberado e dirigido contra jornalistas".

Em nota, o ministério russo questionou a reação de organismos internacionais e criticou o que chamou de "cegueira profissional" diante de ataques contra profissionais da imprensa.

O que diz Israel?

Após o bombardeio, o Exército israelense afirmou que Ali Shuaib atuava como integrante da Força Radwan, ligada ao Hezbollah, "sob a fachada de jornalista". Em comunicado, os militares declararam que o "colete de imprensa era apenas uma cobertura para o terrorismo".

Moscou rejeitou essa justificativa e afirmou que não aceitará a lógica de "chamar um jornalista de terrorista para obter licença para matar", reiterando o pedido por investigação, responsabilização dos envolvidos e o fim do que classificou como "prática sangrenta".