
Zelensky percorre o Oriente Médio para 'vender' proposta rejeitada por Trump

O líder do regime da Ucrânia, Vladimir Zelensky, realiza uma viagem pelo Oriente Médio com foco em cooperação militar e acordos de defesa, após uma proposta semelhante ter sido rejeitada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zelensky já visitou Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.

Segundo ele, a iniciativa inclui oferecer experiência militar ucraniana, especialmente contra drones, em troca de financiamento, tecnologia e apoio à defesa aérea da Ucrânia.
No início de março, Zelensky afirmou que Kiev poderia fornecer ajuda militar a países do Golfo Pérsico, desde que recebesse apoio para fortalecer sua própria defesa aérea. Ele declarou que mais de dez países solicitaram sistemas de guerra eletrônica e interceptores ucranianos.
O líder do regime também anunciou o envio de "especialistas ucranianos" ao Oriente Médio para auxiliar na defesa contra ataques com drones iranianos.
"Sinceramente, para nós, hoje em dia, tanto a tecnologia como o financiamento são importantes", afirmou.
Na sexta-feira (27), Zelensky informou que Ucrânia e Arábia Saudita firmaram "um acordo importante" em defesa, que estabelece bases para contratos futuros, cooperação tecnológica e investimentos, além de reforçar o papel internacional da Ucrânia como "doador de segurança".
Já nos Emirados Árabes Unidos, o líder ucraniano se reuniu com o presidente Mohammed bin Zayed al Nahyan e declarou que Kiev está "aberto a um trabalho conjunto". Segundo ele, os países concordaram em cooperar em segurança e defesa, com equipes finalizando os detalhes.
Em Doha, Zelensky se encontrou com o emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani, e o primeiro-ministro Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim al Thani. Após o encontro, chefes militares assinaram um acordo que prevê projetos conjuntos na indústria de defesa, criação de empresas compartilhadas e parcerias tecnológicas por pelo menos dez anos.
Divergência com Washington
Zelensky afirmou anteriormente que representantes dos Estados Unidos teriam buscado ajuda ucraniana contra drones iranianos. Donald Trump negou a informação e declarou que Washington não necessita da assistência de Kiev, afirmando que os EUA "sabem mais sobre drones que ninguém" e que Zelensky é "a última pessoa" de quem precisariam nesse tema.
Em reação às iniciativas ucranianas, o chefe da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Parlamento do Irã, Ebrahim Azizi, acusou Kiev de se envolver no conflito regional ao apoiar Israel com tecnologia de drones. Segundo ele, isso tornaria o território ucraniano um "alvo militar legítimo", citando o artigo 51 da Carta das Nações Unidas.
Neste sábado (28), mesmo dia da chegada de Zelensky aos Emirados Árabes Unidos, o Quartel-General Central Khatam al-Anbia informou que forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã destruíram, com mísseis, um depósito de sistemas antidrones ucranianos em Dubai.
O comunicado afirmou que havia 21 ucranianos no local e que eles "provavelmente tenham falecido", embora a situação exata não tenha sido confirmada.


