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ONU cria força-tarefa para proteger comércio no estreito de Ormuz

Grupo liderado pelo português Jorge Moreira da Silva criará mecanismos técnicos inspirados em iniciativas anteriores da organização, focando no trânsito de fertilizantes.
ONU cria força-tarefa para proteger comércio no estreito de OrmuzGettyimages.ru / Anna Moneymaker / Staff

A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou, na sexta-feira (27), a criação de uma força-tarefa destinada a propor mecanismos técnicos que assegurem a continuidade do comércio marítimo pelo estreito de Ormuz, diante das perturbações geradas pela guerra no Oriente Médio.

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O grupo será liderado pelo português Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral da ONU e diretor executivo do Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS), contando com representantes da Conferência da ONU de Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), da Organização Marítima Internacional e da Câmara de Comércio Internacional.

A iniciativa se inspira em experiências anteriores da ONU, como o Mecanismo de Verificação para o Iêmen, a Iniciativa de Grãos do Mar Negro, voltada à Ucrânia, e o Mecanismo UN2720, adotado para Gaza. O foco imediato será facilitar o comércio de fertilizantes e o trânsito de matérias-primas associadas.

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O estreito de Ormuz, que responde por cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, foi efetivamente fechado pelo Irã como retaliação à agressão conjunta de Israel e Estados Unidos, iniciada em 28 de fevereiro. O bloqueio fez os preços de combustíveis dispararem e pressiona os custos de frete e seguros, afetando toda a cadeia global de comércio, suprimentos e energia.

Além do impacto energético, a interrupção no transporte de fertilizantes ameaça provocar nova escalada nos preços dos alimentos em todo o mundo. Uma análise do Programa Mundial de Alimentos, publicada na terça-feira (24), alertou que dezenas de milhões de pessoas poderão enfrentar fome aguda caso o conflito se prolongue até junho.