Em meio a relatos sobre uma possível invasão terrestre dos EUA à "mina de ouro" do Irã, um porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano afirmou neste sábado que a vida na ilha de Jarg está voltando à normalidade, informou a agência Tasnim neste sábado (28).
Ele garantiu que a ilha, que abriga infraestrutura estratégica para a exportação de petróleo do país e responde por 90% do total das exportações de petróleo bruto iraniano, "está totalmente segura".
"As Forças Armadas da República Islâmica do Irã estão em alerta máximo e qualquer agressão será respondida de forma contundente e irreversível", afirmou o porta-voz.
Segundo ele, durante uma visita à ilha com colegas, constatou-se que "a vida e as exportações de petróleo seguem normalmente, sem nenhum problema". Ele acrescentou que não foi identificado "nenhum problema específico" e que "a segurança está completamente garantida".
O porta-voz também destacou que os trabalhadores do setor petrolífero "estão concentrados em suas atividades" e reforçou que as Forças Armadas "se uniram e juraram responder a qualquer ataque". "Quem tentar invadir esta ilha enfrentará resistência intensa e não voltará vivo", alertou.
Defesa da "mina de ouro" iraniana
Nas últimas semanas, o Irã tem reforçado a defesa da ilha de Kharg e instalado armadilhas diante da possibilidade de uma invasão dos EUA.
Com tamanho equivalente a cerca de um terço da ilha de Manhattan, Kharg exigiria o envio de uma força de desembarque significativa caso Washington decida atacar, segundo fonte familiarizada com o planejamento militar americano, em declaração à CNN.
Os EUA já bombardearam a ilha em 13 de março. De acordo com o CENTCOM, foram atingidos 90 alvos, incluindo depósitos de minas navais, armazéns de mísseis e "diversos outros pontos militares". O presidente Donald Trump chamou a ação de "um dos bombardeios mais devastadores da história do Oriente Médio", mas afirmou que, por enquanto, decidiu não atacar a infraestrutura petrolífera da ilha.
Guerra no Oriente Médio
Na madrugada de sábado (28), Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
- Outra linha de frente do conflito foi aberta com o rompimento total do cessar-fogo entre Israel e Hezbollah em 2 de março. As forças israelenses realizam ondas de ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação aos cidadãos do Líbano e anunciando operações terrestres no país.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.