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Imprensa dos EUA reconhece que PCC e CV 'não têm papel relevante' no tráfico de drogas ao país

Segundo apuração do The New York Times, a possível classificação dos grupos como terroristas é articulada pelos filhos de Jair Bolsonaro, apesar de publicamente negarem apoiar interferência externa no país.
Imprensa dos EUA reconhece que PCC e CV 'não têm papel relevante' no tráfico de drogas ao paísGettyimages.ru / Faga Almeida / UCG / Universal Images Group

A imprensa dos Estados Unidos reconhece que as duas maiores facções criminosas do Brasil não desempenham papel relevante no envio de drogas ao país, apesar de discussões em Washington sobre classificá-las como organizações terroristas.

De acordo com reportagem desta sexta-feira (27) do The New York Times, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) "não desempenham papel importante no tráfico de drogas para os Estados Unidos", atuando principalmente no envio de cocaína para a Europa e outras regiões.

Ainda assim, o governo do presidente Donald Trump avalia designar os grupos como terroristas após pressão de aliados da família Bolsonaro. Segundo autoridades ouvidas pelo jornal, a iniciativa tem sido articulada nos bastidores por Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

A proposta gerou preocupação entre autoridades brasileiras, que veem risco de interferência externa no cenário político interno, especialmente em meio às eleições. O movimento também poderia abrir caminho para sanções financeiras e outras medidas unilaterais por parte dos Estados Unidos.

O secretário de Estado, Marco Rubio, teria defendido a medida em conversas com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, que, por sua vez, sustenta que a iniciativa não tem embasamento legal e que a soberania do Brasil não pode estar "sob risco ou nas mãos de países estrangeiros".

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teme que a designação permita sanções contra instituições financeiras brasileiras e até ações militares unilaterais. No país, o tráfico de drogas não é enquadrado como terrorismo, em política oficial que segue as diretrizes do Conselho de Segurança da ONU.