
Símbolo da cultura russa e mundial, Teatro Bolshoi celebra 250 anos de história

O Teatro Bolshoi de Moscou, ícone da cultura russa e mundial, celebra neste ano seu 250º aniversário, mantendo viva a tradição do balé e da ópera, formando novas gerações e levando emoções ao palco até mesmo além das fronteiras da Rússia. É uma vitrine da alma e da arte do país.

Fundado em 1776 pela imperatriz russa Catarina II, a Grande, seu nome, "Bolshoi" — que significa "grande" em russo — antecipa sua própria grandiosidade e o tamanho dos artistas que ali encontraram um lar.
"De mãos dadas, pé com pé"
As aulas matinais ministradas pelo bailarino e coreógrafo russo Boris Akimov — ingresso na companhia de balé do Teatro em 1965 e renomado por sua expressividade no repertório de apresentações — são essenciais para a rotina diária dos artistas. O dia começa com alongamentos, piruetas e a repetição sincronizada de movimentos, indispensáveis e posteriormente incorporados às apresentações.

O maestro explicou, em entrevista exclusiva à equipe da RT, que os representantes da escola de balé clássico transmitem sua experiência às gerações mais jovens.
"Sim, os artistas mudam. (...) Nossos jovens bailarinos chegam, e nós, que ainda estamos vivos, mostramos tudo a eles, passamos o conhecimento de mão em mão, pé com pé. E eles o preenchem com sua própria essência atual", enfatizou o artista, que ajudou a treinar as principais estrelas do Bolshoi.
A magia do teatro
Todos os anos, milhares de espectadores lotam o salão principal do teatro sabendo que irão presenciar um evento único. Maria Vinogradova, primeira solista, compartilhou que, toda vez que sobe ao palco, sente uma grande responsabilidade.
"Esta sala é tão mágica que você se funde com ela e sente a energia do palco, a energia da plateia, e eu sempre subo ao palco com muita empolgação e nervosismo", disse ela.
Transbordando do salão principal, a magnitude dessa instituição artística ecoa nas inúmeras salas que o circundam. Nelas, são exibidos figurinos usados séculos atrás, em obras como Romeu e Julieta e Spartacus, e até mesmo a batuta usada pelo próprio compositor Pyotr Tchaikovsky para reger sua ópera Eugene Onegin, baseada no texto homônimo do poeta russo Alexander Pushkin.

Geopolitização da arte
Em tempos de acirramento dos conflitos internacionais, contudo, a geopolítica se impõe sobre as artes, a ponto de tentar apagar a influência dos balés russos nos países ocidentais. Artistas teatrais observam isso com pesar e afirmam que são os públicos dessas nações que mais perdem com tais ações.
Assim, o bailarino principal Artemi Beliakov enfatizou que os mais importantes coreógrafos ocidentais que trabalharam com o Teatro Bolshoi "sempre se comunicam cordialmente com os artistas e lamentam profundamente que suas obras não possam ser apresentadas neste palco".
"E a situação é bem simples: na Europa, eles são impedidos artificialmente de trabalhar. Não são os coreógrafos que não querem colaborar conosco, mas sim algum tipo de mecanismo administrativo que cria dificuldades lá, justamente em seus países de origem", lamentou.
Espírito de amizade entre hemisférios
O Brasil, em uma revigorante contramão que abraça o diálogo artístico, sedia a única filial internacional da companhia, que se estabeleceu em 2000 e completa 26 anos este mês. Na escola de teatro na cidade de Joinville (SC), cerca de 500 bailarinos já foram formados e tocados por essa parceria intercontinental e intercultural em suas duas décadas e meia de atuação.
A instituição oferece formação integral e gratuita ao longo de oito anos, abrangendo não apenas técnicas de dança clássica e contemporânea, mas também música, teatro e outros conhecimentos complementares. As seleções de alunos são abertas a crianças entre 8 e 11 anos, com chamadas especiais para jovens de 12 a 17 anos, democratizando o acesso à educação artística de altíssimo padrão, até para jovens de outros países latino-americanos.
🩰 Palco russo celebra Brasil: o Bolshoi sediou um concerto em homenagem ao Dia Nacional do Brasil e aos 25 anos da Escola Bolshoi brasileira. A apresentação uniu artistas russos e brasileiros em Moscou."A dança e a música são linguagens universais que não conhecem fronteiras" pic.twitter.com/ymus6KelQk
— RT Brasil (@rtnoticias_br) September 6, 2025
"Durante um quarto de século, essa instituição educacional absolutamente única em todos os sentidos ganhou grande popularidade tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina. Ela se tornou um elemento importante da presença de nosso país na região", afirmou Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em parabenização dos 25 anos da escola, no ano passado.
Na celebração deste aniversário em setembro do ano passado, o Novo Palco do Teatro Bolshoi, em sua sede moscovita, recebeu bailarinos de Joinville em um concerto de gala no Dia da Independência do Brasil, que deu espaço a apresentações de repertório e espetáculos contemporâneos de autoria brasileira.




