Bloomberg calcula quando Kiev poderá ficar sem dinheiro para gastos militares

As autoridades e analistas consultados pela agência afirmam que o principal obstáculo ao financiamento da Ucrânia tem sido o bloqueio, por parte da Hungria, de um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 544 bilhões) acordado no âmbito da União Europeia.

O regime de Kiev corre o risco de ficar sem fundos para cobrir os gastos militares em seu conflito com Moscou dentro de dois meses, informou a Bloomberg nesta sexta-feira (27). A agência cita estimativas de autoridades nacionais e estrangeiras que falaram sob condição de anonimato.

As fontes afirmam que o principal obstáculo ao financiamento da Ucrânia tem sido o bloqueio, por parte da Hungria, de um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 544 bilhões) acordado no âmbito da União Europeia. Budapeste condicionou a liberação dos fundos à retomada, por Kiev, do trânsito de petróleo russo por seu território através do oleoduto Druzhba.

O líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, enfatizou que seu país espera "uma alternativa que permita à Ucrânia acessar esses fundos", caso contrário, "o exército enfrentará a falta de financiamento". Ele também alertou que a falta de dinheiro afetará a produção de diversos tipos de drones e a compra de sistemas de defesa aérea.

Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegurou que a UE liberará o empréstimo para a Ucrânia "de um jeito ou de outro". No entanto, segundo a Bloomberg, não há indícios disso até o momento.

Outros desafios financeiros

A agência observa que Kiev também está com dificuldades para cumprir seus compromissos no âmbito do mais recente programa de empréstimo de US$ 8,1 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI), aprovado no mês passado. Embora US$ 1,5 bilhão já tenha sido desembolsado ​​em um programa anterior, os pagamentos subsequentes dependem da aprovação, pelo Parlamento ucraniano, das reformas fiscais exigidas pelo FMI. O prazo para tal aprovação é junho.

Em 2026, Kiev é obrigada a pagar ainda US$ 2,7 bilhões ao FMI por empréstimos anteriores, valor equivalente a 71,1% dos US$ 3,8 bilhões que o país receberá este ano do novo programa de crédito.

Tensões em torno do oleoduto Druzhba