A França retirou seu convite ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para participação na cúpula do G7 em junho deste ano, informou um porta-voz da presidência sul-africana, à agência de notícias francesa AFP, na quinta-feira (26).
"Fomos informados de que os americanos ameaçaram boicotar o G7 caso a África do Sul fosse convidada", disse o porta-voz da Presidência sul-africana, Vincent Magwenya.
O governo sul-africano afirmou que inicialmente foi convidado a participar da reunião do grupo, que a França sediará entre 15 a 17 de junho, na cidade francesa de Évian.
O G7, composto por França, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão, Itália e Canadá, normalmente, convida diversos países não membros para participar de sessões selecionadas. A África do Sul participou da cúpula do grupo no Canadá, em junho de 2025, onde Ramaphosa esteve presente como convidado.
Relações entre Washington e Pretória
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que Paris "não cedeu a nenhuma pressão", mas optou por um "G7 otimizado" e convidou o Quênia para auxiliar na preparação da cúpula África-França em Nairóbi, em maio.
As relações entre Washington e Pretória se deterioraram desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu o cargo em janeiro de 2025.
Trump e membros importantes de sua administração acusaram, repetidamente, o governo sul-africano de não se alinhar com os EUA em questões internacionais importantes, particularmente no que diz respeito à acusação de genocídio feita pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em relação às operações militares em Gaza.
Os EUA, então, boicotaram a cúpula do G20 em Joanesburgo, em novembro de 2025, devido a alegações de que o país africano permite abusos "horríveis" contra sua minoria branca.
Trump afirmou que a África do Sul não será convidada para a cúpula do G20 em Miami ainda este ano, dizendo que o país não é "digno" de ser membro "de lugar nenhum".
"Deixamos claro que não toleraremos intimidações. Atuaremos como um país soberano, negociando e buscando o melhor acordo para a África do Sul. É isso o que estamos fazendo", ressaltou o presidente Ramaphosa, em setembro do ano passado.