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Prefeito israelense chora aos prantos em entrevista por ataques do Hezbollah e acusa Netanyahu de abandono

Eitan Davidi exigiu que o primeiro-ministro de Israel tome providências ou admita incapacidade diante da exposição a risco das populações fronteiriças do país. Ao mesmo tempo, o prefeito israelense da cidade de Kiryat Shmona acusou autoridades de Israel de "enviar civis para a linha de frente sem proteção".
Prefeito israelense chora aos prantos em entrevista por ataques do Hezbollah e acusa Netanyahu de abandonoRedes sociais / Reprodução

O prefeito do assentamento israelense de Margaliot, Eitan Davidi, criticou a atuação do governo e relatou abandono das áreas no norte de Israel após a morte de uma moradora em ataque do Hezbollah. A informação foi publicada pela mídia israelense na quarta-feira (25).

Em entrevista ao Canal 12, Davidi expressou indignação com a destruição de Kiryat Shmona e das comunidades fronteiriças, questionando enfaticamente as ações governamentais. "Vocês acabaram com Kiryat Shmona, acabaram com os assentamentos ao longo da cerca, acabaram com tudo. Vocês já acabaram com tudo. O que vocês estão fazendo?"

Ao descrever a situação na região, o prefeito relatou que as ruas estão praticamente desertas. Ele afirmou que os moradores estão dispostos a pagar o preço pela segurança, mas exigem que o governo finalmente tome providências efetivas diante da situação insustentável.

"Estamos lutando por nossas casas. Fazemos tudo o que podemos aqui, mas não há Estado por trás de nós. Para ter sucesso, é preciso um Estado, não dá para fazer isso sozinho." O clamor antecipou um ultimato do prefeito, que urgiu o governo do premiê Benjamin Netahyahu a admitir sua incapacidade de lidar com a crise e liberar a população dessa responsabilidade, ou a tomar as medidas necessárias para zelar pela segurança dos cidadãos.

Por sua vez, o prefeito de Kiryat Shmona, Avichai Stern, reiterou a indignação de Davidi durante reunião com autoridades e representantes do governo.

"Não se envia um soldado para a batalha sem colete à prova de balas, então por que enviam civis para a linha de frente sem proteção?"

Situação na fronteira

Atravessando o contexto da agressão de Israel e dos EUA contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, outra linha de frente do conflito foi aberta com o rompimento total do cessar-fogo entre Israel e Hezbollah em 2 de março. As forças israelenses realizam ondas de ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação aos cidadãos do Líbano e anunciando operações terrestres no sul do país.

O descontentamento da população ao norte de Israel surge em face desta ofensiva terrestre, que visa empurrar o Hezbollah para além do rio Litani. Em resposta, o grupo intensificou os ataques com mísseis contra o norte de Israel.

O conflito, até o momento, já provocou mais de mil mortes no Líbano, o deslocamento de cerca de um milhão de pessoas e mantém comunidades israelenses em alerta constante.