O mundo corre o risco de passar por uma das maiores crises alimentares da história, alertou o Financial Times nesta sexta-feira (27).
O jornal observa que essa é uma preocupação particularmente grave para os países mais pobres do mundo, mas que quanto mais tempo o conflito durar, mais severo será o choque alimentar e mais pessoas serão afetadas, inclusive em países ricos como os Estados Unidos.
Desde que o Irã bloqueou parcialmente o Estreito de Ormuz, rota marítima que liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, a atenção se concentrou no risco para o fluxo de petróleo. No entanto, a ameaça à segurança alimentar pode ser igualmente séria.
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"Você pode viver por um tempo sem sua geladeira ou seu carro", disse Michael Werz, pesquisador sênior do Conselho de Relações Exteriores, acrescentando: "Você não pode viver sem alimentos básicos."
O aumento dos custos de combustível e eletricidade está elevando as despesas de transporte, processamento e preparo de alimentos. Na Ásia e na África, isso já impulsionou os preços dos alimentos.
No entanto, o maior impacto no sistema alimentar global virá mais tarde, por meio de problemas com fertilizantes, explica o Financial Times. O Golfo Pérsico é o centro dos mercados globais de fertilizantes.
Sua produção foi interrompida e os embarques foram afetados, reduzindo a oferta e elevando os preços globais.
Países africanos como Quênia, Somália, Tanzânia e Sudão, particularmente dependentes de fertilizantes transportados por via marítima, já estão sentindo as consequências. Outras regiões estão se preparando para colheitas insuficientes caso o conflito continue.
Os países do sul da Ásia, como Índia, Paquistão e Bangladesh, dependem do gás importado do Golfo para produzir seus próprios nutrientes para as plantações.
Mesmo países menos diretamente expostos, como os Estados Unidos, sentirão os efeitos por meio de preços mais altos, observa a publicação.