'Não aguento com esta família': Confira o último desejo de Noelia Castillo antes de morrer por eutanásia na Espanha

A jovem que sofria de transtornos psiquiátricos diagnosticados desde a adolescência, incluindo transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de personalidade borderline, disse momentos antes de morrer: "A felicidade de um pai ou de uma mãe não deve estar acima da felicidade de uma filha".

A espanhola Noelia Castillo, morreu por eutanásia aos 25 anos, na quinta-feira (26), após anos de batalha judicial.

Desde 2022, Noelia vivia com paraplegia e dores crônicas, após ter sido vítima de estupro coletivo e se jogado do quinto andar, em um quadro de sofrimento físico e psicológico considerado grave por especialistas.

Ela também apresentava transtornos psiquiátricos diagnosticados desde a adolescência, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de personalidade borderline.

Últimos desejos

Em entrevista ao programa Y ahora Sonsoles, da Antena 3, exibida na quarta-feira (25), Noelia revelou um de seus últimos desejos:

"Quero morrer bonita e radiante", declarou. 

Ela comentou ainda sobre a expectativa da mãe de acompanhá-la no momento da eutanásia, mas recusou:

"Nos últimos dias, minha mãe me disse que, assim como me viu nascer, queria me ver fechar os olhos. Eu disse que pensaria a respeito, e a resposta é não. Não quero que ela me veja fechando os olhos", disse Noelia.

Conflito familiar

A decisão de recorrer à eutanásia gerou um intenso conflito com o pai, que se opôs ao procedimento, alegando que a filha não teria condições psicológicas de decidir sobre a própria morte, e entrou com diversos recursos judiciais.

Sobre a tensão familiar, a jovem desabafou:

"Não aguento mais com esta família, não aguento mais com as dores, não aguento mais com tudo o que me atormenta na cabeça pelo que vivi", declarou.

Segundo ela, o pai teria proferido palavras duras por causa da decisão:

"Você é vazia por dentro, não tem coração, não pensa na dor dos outros", teria dito o pai, segundo Noelia.

Embora contrária à decisão, a mãe esteve ao lado da filha até seus últimos momentos.

Polonia Castellanos, advogada e presidente da entidade, afirmou que a família ficou profundamente desapontada com o desfecho do caso e acusou o governo espanhol de negligência ao permitir que a jovem recorresse à eutanásia. A informação foi divulgada pela mídia internacional.

"A morte é a última opção, especialmente quando se é muito jovem", disse Castellanos.

"Sempre me senti sozinha"

A jovem afirmou que sempre se sentiu sozinha e incompreendida, além de relatar falta de empatia das pessoas ao seu redor e problemas de convivência.

"Mesmo antes de pedir a eutanásia, eu via meu mundo muito escuro, via meu fim muito escuro, não tinha nem metas, nem objetivos, nem nada", disse.

Horas antes de morrer, ela disse se sentir aliviada com a decisão e que "finalmente poderia descansar".

"Não tenho vontade de fazer nada; não como, não saio, durmo mal, minhas costas e pernas doem (...) e quero parar de sofrer, ir embora em paz", explicou ao justificar sua decisão.

Quando perguntada se arrependia-se da decisão, Noelia respondeu de forma direta:

"Não, eu tinha isso muito claro desde o início. A felicidade de um pai ou de uma mãe não deve estar acima da felicidade de uma filha", concluiu.