O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou em entrevista ao site Zeteo, nesta quinta-feira (26), que a nação persa já venceu o conflito com os Estados Unidos e Israel.
"Acho que já vencemos esta guerra brutal porque, literalmente falando, (...) os Estados Unidos têm estado em guerra com o Irã desde 1979, quando se opuseram à revolução iraniana", declarou.
"Durante os últimos 47 anos, tentaram de tudo: assassinatos, sanções paralisantes, como eles as chamam. E, como sabem, ao longo dos últimos meses da guerra Irã-Iraque (1980-1988), também intervieram militarmente. Portanto, esta é outra fase de sua animosidade em relação aos iranianos. E se baseia principalmente em um erro de cálculo", acrescentou.
O porta-voz iraniano sustentou ainda que "trata-se de uma guerra de Israel", que arrastou os EUA para o confronto.
"O certo é que, durante os últimos 27 ou 28 dias, demonstramos resiliência. Nos defendemos de dois regimes com armas nucleares, tecnologicamente superiores e muito sofisticados, mas aprendemos a viver, sobreviver e prosperar nestas situações críticas", afirmou Baghaei.
Baghaei lembrou que Washington atacou o Irã duas vezes em meio às negociações. "Atacaram-nos em 13 de junho, quando tínhamos previsto nos reunir em 15 de junho. Durante doze dias tivemos que nos defender. Depois de alguns meses, propuseram voltar a falar. Iniciamos negociações, mas em 28 de fevereiro repetiram a mesma tática: lançaram uma agressão justamente quando tínhamos previsto nos reunir na segunda-feira em Viena", criticou.
Guerra no Oriente Médio
Na madrugada de sábado (28), Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.