Lavrov critica Ocidente e relembra compromissos da Ucrânia após fim da URSS

Chanceler russo destacou que Kiev prometeu neutralidade em 1991 e que países europeus não garantiram acordo político durante crise de 2014.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que a Ucrânia declarou sua independência em 1991 com base em um compromisso de neutralidade e respeito a direitos das minorias, ao comentar o conflito atual em entrevista à France Télévision.

Lavrov lembrou que Kiev se comprometeu a ser "um Estado soberano, independente, não nuclear e neutro, que não se juntaria a blocos político-militares". Ele acrescentou que Moscou reconheceu "essa Ucrânia", e não aquela que, segundo suas palavras, foi moldada após o golpe de Estado de 2014.

O chanceler russo acusou países ocidentais de não cumprirem garantias políticas dadas durante a crise que levou à saída do então presidente Viktor Yanukovich. França, Alemanha e Polônia assinaram um acordo que previa "um governo de unidade nacional e eleições antecipadas", lembrou, observando que esses mesmos paíes não reagiram quando a oposição desconsiderou o entendimento.

Lavrov afirmou ainda que, ao questionar autoridades europeias sobre o episódio, recebeu como resposta que "a democracia às vezes toma rumos completamente inesperados".

Na sequência, o alto diplomata lembrou das ações militares ucranianas contra sua própria população, mencionando episódios como o incêndio em Odessa, em 2014, e os frequentes bombardeios em outras cidades.

"O que começou depois foi uma guerra", disse, ao sustentar que a escalada do conflito está ligada a esses acontecimentos.